Líderes africanos pedem reforma do Conselho de Segurança na Assembleia Geral da ONU

“Desde 1945, as regras essenciais do funcionamento do Conselho de Segurança estão literalmente congeladas”, afirmou o representante de Togo.

Elliot Ohin, Ministro das Relações Exteriores do Togo. (ONU/Devra Berkowitz)Falando no último dia de debate da Assembleia Geral, uma série de líderes de governos africanos pediram por uma maior ajuda das Nações Unidas no combate aos flagelos da guerra e da pobreza, enquanto também buscam uma maior representação para a África no Conselho de Segurança da Organização.

“Desde 1945, as regras essenciais do funcionamento do Conselho de Segurança estão literalmente congeladas, em uma paralisia que está se tornando mais e mais repulsiva”, disse o Ministro de Relações Exteriores de Togo, Elliot Ohin, ontem (1) para a 67ª sessão da Assembleia Geral, na sede da ONU em Nova York.

“A incapacidade do Conselho de Segurança de chegar a um acordo sobre certas questões de grande importância é a perfeita ilustração disto e torna a reforma deste órgão no coração da ONU ainda mais urgente”, disse ele, chamando para a ação total e imediata e, inclusive, dando à África a representação adequada.

Ministro das Relações Exteriores da Eritreia, Osman Saleh disse que é claro que a ONU não conseguiu o seu objetivo primordial de salvar a humanidade do flagelo da guerra e da pobreza, e agora a ameaça da mudança climática global, nos 67 anos desde a sua criação. “O que é particularmente significativo é o fato de que na maioria destas guerras, são as grandes potências que têm sido os principais arquitetos e atores — os mesmos poderes que, em virtude de sua posição no Conselho de Segurança das Nações Unidas, deveriam ter assumido maior responsabilidade pela manutenção da paz e da estabilidade”, disse ele.

Em sua declaração à Assembleia, o Representante Permanente de Angola junto às Nações Unidas, Embaixador Ismael Gaspar Martins, citou as principais crises pelo mundo, incluindo Mali e Síria, os efeitos da crise econômica global, bem como a necessidade de reformar o Conselho de Segurança. “O tema central, o objetivo do nosso debate, é trazer diante de nós a necessidade de reformar o Conselho de Segurança e o imperativo de uma representação equitativa de todas as regiões do mundo, adaptando-o assim à realidade contemporânea”.