O Secretário-Geral da ONU expressou grave preocupação sobre relatos de que um grupo armado de ex-soldados do leste da RDC estejam recebendo apoio externo.

Em um chamado feito aos líderes de Ruanda e da República Democrática do Congo (RDC), o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou hoje (11) grave preocupação sobre relatos de que um grupo armado de ex-soldados do leste da RDC estejam recebendo apoio externo. As informações foram divulgadas por um Porta-Voz de Ban.
O grupo, conhecido como M23, é composto de soldados desertores que se amotinaram em abril. O M23 é liderado por Bosco Ntaganda, um general do exército procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra, por recrutar e utilizar crianças em combates no norte e sudeste da RDC em 2002 e 2003.
Junto com a província vizinha de Kivu do Sul, no leste do país, a província de Kivu do Norte tem testemunhado um aumento dos combates entre tropas do governo – conhecido pela sigla em francês FARDC – e o M23. Os recentes acontecimentos deslocaram mais de 100 mil pessoas, incluindo muitos que fugiram para os países vizinhos Ruanda e Uganda.
“O Secretário-Geral ligou para os presidentes Paul Kagame de Ruanda e Joseph Kabila da República Democrática do Congo hoje para discutir a situação humanitária e de segurança deteriorantes no leste da RDC e identificar as medidas possíveis para resolver a crise”, declarou o Porta-Voz de Ban Ki-moon, em uma nota a jornalistas.
“Salientando a necessidade de fazer todo o possível para dissuadir o M23 de fazer avanços e cessar imediatamente os combates, o Secretário-Geral pediu aos presidentes Kagame e Kabila que prossigam com o diálogo, a fim de aliviar as tensões e pôr fim à crise”, acrescentou o Porta-Voz, observando relatos de que os combatentes do M23 são bem treinados, armados e equipados, além de receber apoio externo.
Impacto sobre a população civil
Junto com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDC (MONUSCO) reiterou sua preocupação com a deterioração da segurança e da situação humanitária em Kivu do Norte, bem como o impacto dos combates sobre a população civil.
Além de reforçar suas tropas em Goma, capital de Kivu do Norte, a Missão tem realizado voos de reconhecimento sobre áreas onde o M23 está presente, a fim de obter informações táticas e verificar os relatórios.
Os “capacetes azuis” da ONU também também têm aumentado os esforços para proteger os civis, inclusive por meio da intensificação de patrulhas. Na semana passada, um pacificador indiano foi morto em Kivu do Norte, após ter sido pego em um fogo cruzado em confrontos entre as FARDC e o M23.
O Secretário-Geral da ONU e o Conselho de Segurança tem expressado preocupação com a situação no leste da RDC nos últimos dias. A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, já havia descrito o M23 como sendo liderado por um grupo “particularmente notório dos violadores dos direitos humanos.”
No final de junho, o Conselho de Segurança estendeu por mais um ano a MONUSCO, priorizando seu mandato na proteção de civis. A Missão apoia as autoridades da RDC na sua estabilização e consolidação dos esforços de paz, incluindo a assistência à realização de eleições, o monitoramento de violações dos direitos humanos e o apoio à ação do Governo contra os grupos armados que operam no leste do país.