Durante 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU, chefes de Estado da Bolívia, El Salvador e Peru afirmaram que modelos econômicos e sociais externos promoveram a desigualdade, atraso e injustiça em seus países.

Presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma. Foto: ONU/Sarah Fretwell
Líderes políticos da América Latina alertaram a Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (25) que o aprofundamento da desigualdade e políticas econômicas injustas condenam as pessoas vulneráveis à margem da sociedade e impedem que os países pequenos desfrutem dos direitos consagrados na Carta das Nações Unidas.
Os chefes de Estado pediram um novo compromisso global para um desenvolvimento pacífico e inclusivo.
O presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma, disse que nos últimos dias ouviu discursos de outros líderes mundiais e tornou-se claro para ele que os pontos de vista expressados sobre liberdade, igualdade, dignidade e soberania “deixam muito a desejar”.
Morales acrescentou que ficou claro que a Bolívia e outros países da região seguiram um caminho diferente de muitos dos países ditos industrializados.
“Vivemos em soberania e dignidade, não somos mais dominados pelo império norte-americano (…) não somos mais chantageados pelo Fundo Monetário Internacional”, disse ele, contando para as delegações reunidas no debate geral que quando a Bolívia se libertou politica e economicamente, suas condições sociais mudaram radicalmente para melhor.
Morales afirmou que os discursos dos chefes de Estados de alguns países aspirando a paz, a democracia e a justiça social não eram condizentes com as ações tomadas por eles – intervenção militar, bloqueio dos espaço aéreo, utilização de empresas privadas para espionar cidadãos – e se perguntou “que tipo de paz e justiça social eles estão falando?”.
Morales acrescentou que “países como os Estado Unidos não podem acreditar que eles são os donos do mundo. Eles não são (…) se realmente querem combater o terrorismo e a intolerância, devem fazê-lo através de políticas e educação, não bases militares e armas”.
O presidente de El Salvador, Carlos Mauricio Funes Cartagena, disse que a agenda de desenvolvimento deve assegurar proteção para aqueles que são mais afetados pela crise econômica e os impactos das mudanças climáticas.
Cartagena afirmou que durante alguns anos a economia do seu país parou de crescer e as exportações diminuíram, bem como a renda familiar dos salvadorenhos.
“Esta terrível realidade foi o resultado de décadas de modelos econômicos e sociais externos que promoveram desigualdade, atraso e injustiça”, disse ele. No entanto, Cartagena acrescentou que o seu governo começou a avançar com a aplicação justa e inclusiva dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e que a situação em El Salvador é outra.
O presidente peruano, Ollanta Humala Tasso, disse que em todo o mundo a desigualdade tornou-se mais aguda, aprofundando o fosso que marginaliza os pobres dos benefícios do progresso e do desenvolvimento, impedindo-os de desfrutar dos direitos consagrados na Carta das Nações Unidas.
Para Tasso, “é necessário fortalecer, renovar e manter nosso compromisso global para desenvolver relações pacíficas entre os povos e encontrar soluções que descartam o uso da força para resolver os nossos problemas (…) no entanto, para isso, precisamos mudar a equação e centralizar nossos esforços na luta pela igualdade”.