O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou em um evento sobre o lançamento do livro “HERstory: Celebrating Women Leaders in the United Nations” – “A história delas: celebrando mulheres líderes nas Nações Unidas” –, uma iniciativa da Colômbia e do Catar sobre a contribuição das mulheres no desenvolvimento das Nações Unidas.
“Aumentar a conscientização sobre as contribuições das mulheres é uma parte essencial para corrigir a desigualdade em nossa cultura, que tem historicamente desvalorizado o trabalho da mulher”, afirmou.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou no final de junho em um evento sobre o lançamento do livro “HERstory: Celebrating Women Leaders in the United Nations” – “A história delas: celebrando mulheres líderes nas Nações Unidas” –, uma iniciativa da Colômbia e do Catar sobre a contribuição das mulheres no desenvolvimento das Nações Unidas.
O evento ocorreu na sede da ONU, em Nova Iorque.
A iniciativa destaca pioneiras como Lucille M. Mair, a primeira mulher a ocupar o cargo de subsecretária-geral – título dado aos funcionários que supervisionam os departamentos da ONU e principais organismos; e Margaret Anstee, a primeira mulher a dirigir uma operação de manutenção da paz.
“A história que aprendemos na escola tende a ser uma história muito parcial. É a história dos homens”, disse Guterres.
“Aumentar a conscientização sobre as contribuições das mulheres é uma parte essencial para corrigir a desigualdade em nossa cultura, que tem historicamente desvalorizado o trabalho da mulher”, afirmou.
Guterres lembrou o público sobre o “enorme progresso” nos direitos das mulheres, alcançado durante mais de sete décadas desde a fundação da ONU.
Contudo, o secretário-geral também ratificou que as mulheres compuseram apenas seis dos 278 delegados na conferência de 1945 que estabeleceu a Organização – história contada em um recente podcast da ONU, que você pode ouvir aqui.
E embora essa situação não possa ocorrer hoje, o chefe da ONU informou que praticamente toda semana ele ainda encontra delegações diplomáticas que não incluem uma única mulher.
“A questão também é uma preocupação interna”, disse Guterres, acrescentando que a ONU teve que trabalhar para garantir que seus próprios eventos não apresentassem painéis exclusivamente masculinos.
Em seu discurso, o secretário-geral colocou a igualdade de gênero como uma das principais prioridades e pediu por uma maior representação das mulheres na ONU, inclusive no nível principal de gerência.
“Isso não é simplesmente sobre a luta pela igualdade de gênero”, afirmou ele. “Da paz e segurança ao desenvolvimento e aos direitos humanos, uma maior inclusão é a chave para o nosso sucesso”, acrescentou.
Guterres defendeu que a integração das mulheres traz novas perspectivas, diferentes estilos de liderança, maior inovação e uma organização mais eficiente.
Uma reportagem exclusiva do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, UNIC Rio, mostrou que a inclusão da igualdade de direitos de homens e mulheres na Carta da ONU, documento lançado em 1945 que criou as Nações Unidas, foi fruto da insistência de diplomatas latino-americanas lideradas pela cientista brasileira Bertha Lutz, que enfrentou forte oposição das delegações norte-americana e britânica.
Essa foi a conclusão de pesquisadoras da Universidade de Londres, que tentam “reescrever a história” e dar o devido crédito às diplomatas do Sul, responsáveis pela inserção do tema da igualdade de gênero em um dos mais importantes tratados internacionais do século XX. Confira a matéria no vídeo abaixo e clicando aqui.