Luta contra criminalidade na América Latina exige mais esforços de prevenção, diz Banco Mundial

Em 2012, estimativas indicavam que, a cada 15 minutos, quatro pessoas eram vítimas de homicídio na América Latina e no Caribe. Em 2013, das 50 cidades mais violentas do mundo, 42 estavam localizadas na região. Cenário contraria crença de que crescimento econômico e redução da pobreza são suficientes para acabar com a violência. Banco Mundial propõe que prevenção da criminalidade deve envolver políticas diversas de saúde, atenção à infância e educação.

América Latina e Caribe concentram índices elevados de violência. Foto: Shutterstock/vitoj

América Latina e Caribe concentram índices elevados de violência. Foto: Shutterstock/vitoj

Os índices de violência na América Latina desafiam a crença de que crescimento econômico, redução da pobreza e diminuição das desigualdades são suficientes para acabar com a criminalidade. Em análise divulgada nesta semana (7), o Banco Mundial aponta que, apesar da significativa expansão da atividade produtiva na região ao longo dos anos 2000, países latino-americanos continuaram sendo alguns dos mais perigosos do mundo.

Na publicação “Acabar com a violência na América Latina: um olhar sobre a prevenção desde a infância até a idade adulta“, o organismo financeiro lembra que, de 2003 a 2011, a América Latina e o Caribe registraram uma taxa de crescimento anual de quase 5%, à exceção de 2009, ano da crise global. Na mesma década, a pobreza extrema caiu mais da metade, chegando aos 11,5%, e 80 milhões de latino-americanos deixaram a linha de miséria moderada.

No entanto, em 2012, estimativas indicavam que, a cada 15 minutos, quatro pessoas eram vítimas de homicídio na América Latina e no Caribe. Em 2013, das 50 cidades mais violentas do mundo, 42 estavam localizadas na região. No período 2005-2012, o aumento anual do índice de assassinatos foi três vezes maior do que o crescimento da população.

Diante desse cenário, a agência da ONU avalia que mais esforços de prevenção da violência são necessários. Estes devem envolver uma série de políticas transversais.

“Para ser bem-sucedida, a região precisa construir um tecido social mais inclusivo, com mais igualdade de oportunidades, e implementar políticas de prevenção que tenham funcionado para conter a violência, como a redução das taxas de abandono escolar e o aumento do emprego juvenil de qualidade”, aponta o responsável pela análise e vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Jorge Familiar.

O organismo financeiro aponta que a insegurança é o resultado de muitos fatores – desde o narcotráfico e o crime organizado, passando por sistemas judiciais e de aplicação da lei fracos, que promovem a impunidade, até a falta de oportunidades e apoio às populações jovens marginalizadas.

Estudos sobre o Brasil e o México incorporados à pesquisa revelam, por exemplo, que a qualidade do emprego — e não apenas a condição de desempregado ou empregado — desempenha um papel central na relação entre mercado de trabalho e infrações criminais.

O Banco Mundial considera essa descoberta especialmente relevante para políticas sobre juventude. Segundo o organismo financeiro, jovens com baixa escolaridade terão perspectivas de empregabilidade formal restritivas, com potencial de crescimento da renda limitado. As possibilidades de aquisição de novas habilidades e a estabilidade no trabalho também são menores para esse tipo de trabalhador — o que pode levá-los para o setor informal.

A análise da agência da ONU ressalta que iniciativas não especificamente projetadas para impedir a criminalidade têm benefícios substanciais de prevenção da violência.

Alguns exemplos de programas que funcionam incluem visitas domiciliares de agentes de saúde e iniciativas de desenvolvimento da primeira infância, que comprovadamente reduzem a probabilidade de as crianças fugirem de casa ou de serem presas ou condenadas no futuro.

A maior parte das reduções consideráveis e duradouras de crimes violentos ou contra a propriedade estão associadas a políticas que desencorajam o abandono do ensino médio.

O relatório conclui que mesmo políticas de saúde devem ser consideradas para prevenir e “tratar” o crime, a violência e a agressão. Desde uma melhor nutrição até tratamentos de saúde mental oferecem resultados promissores.

Acesse a avaliação do Banco Mundial na íntegra aqui.