Madagascar: Secretário-geral da ONU preocupado com processo eleitoral

Para a ONU, as candidaturas aceitas por tribunal local violam espírito de acordo realizado em 2011 por lideranças políticas. Primeiro turno está marcado para 24 de julho.

Comício político em Madagascar em 2009. Foto: IRIN

Comício político em Madagascar em 2009. Foto: IRIN

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, partilhou na segunda-feira (20) as preocupações expressas anteriormente pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) e da União Africana sobre os mais recentes desenvolvimentos no processo eleitoral em Madagascar.

“A apresentação dos documentos de nomeação de candidaturas do presidente interino, Andry Rajoelina, da candidatura da ex-primeira dama, Lalao Ravalomanana e do ex-presidente Didier Ratsiraka, e a decisão do Tribunal Eleitoral Especial de autorizar as candidaturas, é uma violação do espírito de um acordo mediado pela SADC”, disse o porta-voz  de Ban em um comunicado.

Em 2011, os partidos políticos da nação africana assinaram um acordo mediado pela SADC que permitia o retorno incondicional do exílio de Ravalomanana, ex-presidente deposto em um golpe em 2009 liderado por Rajoelina após semanas de protestos. O acordo também previa a partilha do poder pelos signatários até que as eleições presidenciais e parlamentares fossem realizadas, com Rajoelina permanecendo no poder. Mesmo com a conciliação, Ravalomanana permanece  na África do Sul.

Em janeiro, Rajoelina havia aceitado não se candidatar por pressão da comunidade internacional, que busca favorecer a organização de eleições livres e sem violência. Ravalomanana também havia prometido não se candidatar e, exilado, nomeou sua esposa Lalao Ravalomanana, que não possui experiência política, para representá-lo nas eleições.

O Tribunal Eleitoral validou a candidatura da ex-primeira dama e de Rajoelina, assim como a de Ratsiraka, de 76 anos e que esteve à frente do governo de 1975 a 1993 e de 1997 a 2002. O primeiro turno da eleição está marcado para 24 de julho e o segundo será em 25 de setembro.

Em seu comunicado, Ban destaca que a assistência da ONU para o processo eleitoral está condicionada ao cumprimento rigoroso de todas as partes como o acordo da SADC como o único quadro para a restauração da plena legitimidade do Governo de Madagascar.