Entre as prioridades está assegurar que mais de 800 mil pessoas tenham acesso urgentemente a abrigos e recebam itens essenciais para enfrentar as baixas temperaturas.

Com o começo da temporada de chuvas e o inverno iminente, o ACNUR junto com seus parceiros e apoio do Kuwait se apressam para acabar a construção do acampamento de Khankhe. Foto: ACNUR Iraque
Uma “imensa” crise humanitária está se desdobrando no Iraque e mais recursos da comunidade internacional são necessários para ajudar o país no inverno que se aproxima, advertiram os representantes do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) nesta terça-feira (27).
O apelo foi realizado no final da visita de quatro dias do diretor em Genebra do OCHA, Rashid Khalikov, e do secretário-geral de Assuntos Humanitários da OCI, Hesham Youssef. Eles estiveram em Erbil, Bagdá e em localidades da província de Dohuk, onde puderam ver as condições dos mais de 500 mil deslocados, dos quais cerca de 90 mil vivem, neste momento, a céu aberto.
Os representantes também visitaram o Curdistão iraquiano, região que mais sofre as consequências do deslocamento ao hospedar mais de 850 mil pessoas. Durante as visitas, Khalikov e Youssef se reuniram com civis, autoridades e parceiros humanitários para entender a “magnitude da crise”.
A missão conjunta vem no encalço da elaboração de um Plano de Resposta Estratégico, lançado na semana passada, que solicita 2,3 bilhões de dólares para cobrir as operações humanitárias e necessidades de proteção dos deslocados iraquianos até o final de dezembro de 2015. Entre as prioridades está assegurar que mais de 800 mil pessoas tenham acesso urgentemente a abrigos e recebam itens essenciais para enfrentar o inverno, como cobertores, querosene, aquecedores, tapetes e sistemas de isolamento para deixar as barracas mais resistentes ao frio.
Desde janeiro, mais de 1,8 milhão de pessoas – metade delas crianças – tiveram que deixar suas casas no Iraque e outras milhares foram forçadas encontrar abrigo em edifícios inacabados, espaços públicos e assentamentos informais, disse Khalikov, somando um total de 5,2 milhões de pessoas que precisam dessa assistência.
O uso de escolas para abrigar as pessoas também comprometeu o início das aulas no Curdistão, o que levou o adiamento do início do ano letivo para 01 de dezembro. A situação também é crítica na fronteira do Iraque com a Turquia, onde refugiados provenientes de Kobane chegam diariamente.
“Esperemos que mais possa ser feito no futuro”, disse Youssef. “Infelizmente, o sentimento no Iraque é que essa crise não terá um fim no futuro próximo.”