Mais de cem chefes de Estado são esperados para Cúpula do Clima da ONU

Jornalistas da América Latina e do Caribe acompanharam nesta terça-feira (03) os detalhes do planejamento da Cúpula do Clima, que acontecerá no próximo dia 23 de setembro em Nova York.

Jornalistas reunidos no Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro. Foto: UNIC Rio

Jornalistas reunidos no Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro. Foto: UNIC Rio

Jornalistas da América Latina e do Caribe acompanharam nesta terça-feira (03) os detalhes do planejamento e conheceram os possíveis resultados da Cúpula do Clima, que acontecerá no próximo dia 23 de setembro em Nova York.

Em uma videoconferência organizada em Nova York e transmitida simultaneamente no Brasil, México, Peru, Panamá e Trinidad e Tobago, o assessor do secretário-geral da ONU para as mudanças climáticas, Fernando Castellanos, e o assessor do Setor de Desenvolvimento do Departamento de Informação Pública da ONU, Dan Shepard explicaram o passo a passo da agenda desse encontro internacional.

Segundo eles, a Cúpula servirá de vitrine para as ações positivas realizadas pelos países para frear o aquecimento global em menos de 2 graus Celsius e como arena de debate para o acordo final que substituirá o Protocolo de Kyoto, que será assinado em dezembro de 2015.

Convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Cúpula não faz parte do processo de negociação do novo acordo. No entanto, esta oportunidade servirá como plataforma para que os países exponham as medidas adotadas com sucesso até o momento e apresentem novos compromissos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

“O secretário-geral pensou que se os países fossem para Paris no próximo ano para negociar o acordo sem esse evento, eles talvez não chegassem a um acordo tão ambicioso como o que queremos”, disse Shepard. “Organizar essa Cúpula um ano antes, não só coloca o tema da mudança climática na agenda internacional pela primeira vez em cinco anos, mas também nos coloca no caminho sustentável que nós devemos seguir agora”.

Ele enfatizou que por muito tempo países esperaram a “tecnologia mágica” para poder atuar, mas com a conscientização dos danos humanos, sociais, ambientais e econômicos da mudança climática existe uma urgência imediata de agir. “Se tivéssemos começado a agir há anos, os esforços seriam menores, mas mesmo que comecemos a atuar agora nos custará muito menos que se deixarmos para amanhã”, complementou.

Castellanos acrescentou que o secretário-geral não determinou um modelo concreto de como os países devem apresentar suas iniciativas. Cada país tem um contexto próprio e uma circunstância específica que não podem ser comparáveis. “Por isso, é importante que cada convidado anuncie suas ações mais ousadas para alcançar esse objetivo comum”, disse.

Mais de 100 chefes de governo e estado já confirmaram a sua presença no evento, que acontecerá um dia antes do início da 69a Assembleia Geral da ONU. Às vésperas das eleições no país, a delegação brasileira ainda não anunciou que representará o Brasil neste evento.

No final da Cúpula, o secretário-geral da ONU fará um resumo das iniciativas apresentadas pelos países. Apesar do objetivo do encontro não é chegar a um consenso entre todos os países presentes, se espera que a Cúpula demonstre a vontade política de enfrentar a mudança climática e uma visão em comum de como os países avançarão para abordar esta questão. Além disso, reforçaram os representantes, o encontro proporcionará o ambiente propício para que acordos paralelos possam ser alcançados entre os participantes, como parcerias entre prefeitos, financiamento de projetos pelo setor privado, entre outros.

“Precisamos que todos os líderes se unam a esta causa, líderes não só de governos, mas do setor financeiro, de negócios, da sociedade civil. Todos os setores devem estar envolvidos e todos devem fazer a sua parte se queremos fazer alguma diferença. E esse é o papel da Cúpula do Clima, ela reúne a todos no mesmo lugar”, disse Shepard.

No Rio de Janeiro, o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, Giancarlo Summa, acompanhou o encontro virtual junto com jornalistas brasileiros. Para ele, a Cúpula do Clima representa uma excelente oportunidade para que os governantes possam ver o que têm sido feito para conter as mudanças climáticas e um importante passo prévio antes da Conferência da Mudança Climática em Lima, que acontecerão em dezembro de 2014 e a assinatura do novo acordo, em Paris, em dezembro de 2015.