Funcionários do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) relataram nesta sexta-feira (08/04) que investigadores encontraram mais de 100 corpos nas últimas 24 horas em três cidades da Costa do Marfim, sugerindo assassinatos étnicos.
Funcionários do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) relataram nesta sexta-feira (08/04) que investigadores encontraram mais de 100 corpos nas últimas 24 horas em três cidades da Costa do Marfim, sugerindo assassinatos étnicos.
Na cidade de Duékoué foram encontrados 15 corpos, onde já haviam sido achados 229 no último mês. De acordo com o porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, acredita-se que as vítimas sejam, em sua maioria, da etnia Guerre, que tradicionalmente apoia Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder após ser ter sido derrotado por Alassane Ouattara nas eleições de novembro. “Os assassinatos foram cometidos quando apoiadores de Ouattara assumiram o controle de Duékoué”, disse Colville, relatando que algumas das vítimas parecem ter sido enterradas ainda com vida. Há relatos também de que alguns autores do crime são integrantes de milícias da Libéria.
Em meados de março, outras 100 pessoas da etnia Dioula foram encontradas mortas por forças pró-Gbagbo, que na época controlavam Duékoué. A equipe de direitos humanos também encontrou 40 cadáveres na cidade de Blolequin, e 60 nas proximidades de Guiglo, incluindo africanos ocidentais.
O Secretário-Geral Adjunto para Direitos Humanos, Ivan Šimonovic, que está no país há diversos dias, se reuniu nesta quinta-feira com Ouattara para discutir o assassinato de civis. Ele também falou ao telefone com um assessor de Gbagbo.
Visita Pertubadora
Após voltar de uma “visita profundamente perturbadora” à Costa do Marfim, a Subsecretária-Geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, alertou nesta quinta-feira (07/04) para a gravidade da situação humanitária no país, onde o conflito pós-eleitoral já deixou milhares de mortos e feridos.
Amos conversou com várias pessoas que resistiram ou testemunharam as atrocidades resultantes dos conflitos entre forças aliadas ao presidente eleito, Alassane Ouattara, e forças pró-Laurent Gbagbo, que se recusa a aceitar a derrota nas eleições. Ela disse ter ouvido relatos de mulheres que presenciaram a execução de seus maridos, garotas que foram sequestradas e crianças forçadas a se separarem dos pais.
A Subsecretária-Geral afirmou que as partes envolvidas devem assegurar que a ajuda humanitária chegue aos necessitados, e disse que a ONU está trabalhando para garantir que isto aconteça. “É importante lembrar que aqui estão pessoas comuns. O que elas me contaram diversas vezes é que desejam um país seguro e estável, para que possam seguir adiante com suas vidas.”
Ela ressaltou que não deve haver impunidade para os autores de crimes contra civis, dizendo que “será necessário um processo de reconciliação sustentado”. No início da semana, promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI) disseram que poderão ser abertas investigações sobre os assassinatos “generalizados e sistemáticos” na Costa do Marfim.
Também nesta quinta-feira, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou o pedido para que Gbagbo deixe o poder, afirmando que esta seria a última oportunidade de fazê-lo normalmente. “Ele deve se importar – se realmente acredita ter sido o líder da Costa do Marfim algum dia – com o bem estar, com a segurança e com a prosperidade da população”, completou.