Mais de 3.500 pessoas fogem da violência na República Democrática do Congo em apenas um dia

ACNUR estima que 10 mil pessoas fugiram da RDC após a última onda de combates entre as forças do governo congolês e o grupo rebelde M23.

Refugiados recém chegados da República Democrática do Condo (RDC) no Centro de Transição de Nyakabande, no sudoeste de Uganda. Foto: ACNUR/L.Beck

Refugiados recém chegados da República Democrática do Condo (RDC) no Centro de Transição de Nyakabande, no sudoeste de Uganda. Foto: ACNUR/L.Beck

A agência da ONU para refugiados disse na terça-feira (5) que cerca de 10 mil pessoas foram forçadas a fugir da República Democrática do Congo (RDC) para Uganda após a última onda de combates entre as forças do governo congolês e o grupo rebelde M23.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), os ataques ocorreram perto da fronteira da RDC com o distrito de Kisoro, em Uganda. Bombas caíram muito perto da fronteira e, em meio ao bombardeio, algumas áreas de Uganda também foram atingidas.

Na segunda-feira (4) o ACNUR começou a transportar refugiados da fronteira para o Centro de Transição de Nyakabande. Segundo dados da agência, mais de 3.500 pessoas foram transferidas – o maior número em um único dia desde que os conflitos começaram, em abril do ano passado.

De acordo com o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, o Centro recebeu mais de 100 crianças que chegaram por conta própria – a maioria separada de seus pais durante a fuga para cruzar a fronteira.

O ACNUR calcula que 8.230 pessoas estão abrigadas neste Centro de Transição. “Atualmente, temos itens de ajuda de emergência suficientes para uma população de 10 mil pessoas”, disse Edwards.

No entanto, ele acrescentou que o fornecimento de água para o centro continua sendo um desafio, porque a pressão da água no local é muito baixa. “Nós também estamos enfrentando escassez de material cirúrgico, por causa do grande número de feridos que recebemos”, disse ele.

“A situação no leste da RDC continua tensa e volátil. Ninguém está preparado para voltar e as pessoas ainda estão cruzando [a fronteira]. Os agentes de segurança informaram que a cidade de Bunagana não têm mais civis”, afirmou Edwards.

Até agora, o ACNUR ajudou cerca de 50 mil pessoas que fugiram da RDC. Em Uganda, refugiados congoleses compõem 65% de toda a população de refugiados e a maioria deles chegaram nos últimos três anos.