Mais de 20 mil refugiados da República Democrática do Congo já fugiram para Angola desde o início de abril. Violência na província congolesa de Kasai tem se espalhado por regiões da nação africana, provocando novas ondas de deslocamento forçado. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está no terreno levando assistência humanitária para os refugiados vivendo em centros de recepção angolanos.

Mulheres e crianças congolesas chegam a um ponto fronteiriço em Chissanda, na província de Lunda Norte, em Angola, depois de fugirem dos ataques de milícias em Kasai, na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/ Pumla Rulashe
O congolês Kazenzi Kamwenza não esperava que a violência na província de Kasai, na República Democrática do Congo, fosse chegar até a sua aldeia natal, em Kamako, a poucos quilômetros da fronteira angolana. O perigo iminente o forçou a reunir rapidamente os nove integrantes da sua família, levá-los para o sul e atravessar a fronteira. “Eu esperava voltar para casa em algumas horas”, disse. “Nossa vida e tudo relacionado a ela está lá, afinal de contas.”
O agricultor e sua família estão entre os mais de 3 mil recém-chegados que entraram em Angola nos últimos dias. Mais de 20 mil refugiados congoleses buscaram refúgio no país desde o início de abril, informou a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no início de maio (12).
O ACNUR enviou uma equipe de emergência a Dundo, capital da província de Lunda Norte, em Angola, para coordenar uma resposta multifuncional que inclua outras agências da ONU e o governo do país de acolhimento. A estratégia visa ajudar os refugiados em suas necessidades imediatas, além de fornecer alimentos, abrigo e outros itens de emergência.
“Desde que chegamos, há duas semanas, nossos esforços para defender a relocação urgente de refugiados dos centros de acolhimento temporários deram fruto”, diz Asis Das, oficial de saúde pública do ACNUR em Angola. Atualmente, a agência da ONU ajuda as autoridades angolanas na identificação de um local adequado para realocar os refugiados, a 50 quilômetros da fronteira.
O funcionário do organismo internacional explica ainda que o ACNUR tem sido capaz de entregar comida aos refugiados a tempo, já que mercadorias como farinha de milho, feijão, sal e petróleo são compradas de fornecedores locais em Dundo.

Um dos filhos de Kazenzi Kamwenza segura um prato de legumes cozidos. Foto: ACNUR/Pumla Rulashe
O exército angolano tem transportado os recém-chegados da fronteira aos dois Centros de Recepção, em Cacanda e Moussunge. Tfumba Soleso, de 29 anos, e seus três filhos foram transportados da fronteira depois de passar quatro dias fugindo a pé.
Kamwenza e os parentes tinham a expectativa de retornar, mas foram impedidos pelo aumento da violência. O centro de recepção em Moussunge, onde eles estão agora, está lotado e o local é quente e árido. Desde a sua chegada, Kamwenza e sua família têm tido dificuldade para se alimentar.
“O que mais me abala é que deixei campos de mandioca em casa enquanto minha família passa fome aqui”, diz o camponês. “Ser reduzido a nada por um conflito que nos mantêm reféns desde agosto do ano passado é uma um fato difícil de engolir.”
Tfumba Soleso, de 29 anos, e seus três filhos também deixaram a República Democrática do Congo. Eles foram transportados da fronteira depois de passar quatro dias fugindo a pé.
“Nós ouvimos falar da milícia Kamuina Nsapu pela primeira vez quando nos disseram para fugir porque iriam matar pessoas”, conta Tfumba. “Após uns quatro ou cinco dias, voltaram e começaram a incendiar nossas casas. Foi então que decidimos fugir.”