No entanto, a situação permanece frágil e não é irreversível, alertou Martin Kobler aos membros do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da situação de segurança ter melhorado e centenas de pessoas poderem voltar aos seus lares, a ONU alerta para a fragilidade da realidade no país e pede novos avanços para estabelecer a paz. Foto: ACNUR/Ramazani
A situação da República Democrática do Congo (RDC) apresentou uma melhora significativa comparada com a realidade no ano anterior, mas o país ainda vive um momento de fragilidade, em que os ganhos ainda não são irreversíveis, afirmou o representante especial do secretário-geral para a RDC e o chefe da Missão da ONU no país, Martin Kobler aos membros do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (07).
“Estou feliz em notar alguns progressos tangíveis. Alguns grupos armados agora são parte dos livros de história. Outros seguirão. Além disso, um número crescente de congoleses podem agora visualizar um futuro melhor. Os desenvolvimentos positivos constituem as bases para uma paz duradoura na região dos Grandes Lagos”, disse Kobler, que lembrou que há apenas um ano a milícia armada se aproximava a Goma, a principal cidade do país.
Em 2013, Kobler informou o Conselho sobre relatos diários de estupros, assassinatos, assim como ataques violentos das Forças Aliadas Democráticas. “Hoje, quase 4 mil combatentes de diferentes grupos armados congoleses já se entregaram. As Forças Armadas Democráticas da República Democrática do Congo também parecem começar a deixar as armas de forma voluntária, enquanto 500 mil pessoas deslocadas voltaram para as suas casas”.
No entanto, o representante especial advertiu que a situação permanece frágil e não é irreversível. Ainda existem 1.500 combatentes das Forças Democráticas para a Liberação da Ruanda no país, que no ano passado aumentaram suas atividades na RDC.
Kobler também lembrou o massacre de 33 pessoas em Matarule no último dia 03 de junho, quando a polícia e o exército nacional, assim como a Missão da ONU no país (MONUSCO) não interviram, embora se encontrassem próximos à localidade. Ele frisou que é necessário “responsabilização por omissão” e pediu que o incidente sirva para mostrar que não basta estar presente, mas é preciso agir para proteger os civis.