Mais de 70 países prometem tomar medidas urgentes para acabar com tuberculose até 2030

Setenta e cinco ministros concordaram na semana passada (17) em tomar medidas urgentes para erradicar a tuberculose até 2030. O anúncio foi feito na primeira Conferência Ministerial Mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, que reuniu delegados de 114 países em Moscou, na Rússia.

“Este dia marca um ponto crítico na luta para acabar com a tuberculose”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus. “Indica um compromisso mundial já muito atrasado para deter a morte e o sofrimento causado por essa antiga assassina”.

Pessoas usam máscara de proteção contra a tuberculose. Foto: IRIN/David Gough

Pessoas usam máscara de proteção contra a tuberculose. Foto: IRIN/David Gough

Setenta e cinco ministros concordaram na semana passada (17) em tomar medidas urgentes para erradicar a tuberculose até 2030. O anúncio foi feito na primeira Conferência Ministerial Mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, que reuniu delegados de 114 países em Moscou, na Rússia.

O presidente russo Vladimir Putin abriu a conferência, junto com Amina Mohammed, vice-secretária-geral da ONU, e Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

“Este dia marca um ponto crítico na luta para acabar com a tuberculose”, disse Tedros. “Indica um compromisso mundial já muito atrasado para deter a morte e o sofrimento causado por essa antiga assassina”.

A Declaração de Moscou para eliminar a tuberculose é uma promessa para aumentar a ação multissetorial, assim como para monitorar os avanços e gerar instância de prestação de contas. Também informará a primeira Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre a Tuberculose em 2018, que buscará novos compromissos dos chefes de Estado sobre o tema.

Os esforços mundiais para combater a tuberculose salvaram aproximadamente 53 milhões de vidas desde 2000 e reduziram a taxa de mortalidade pela doença em 37%. No entanto, o progresso em muitos países parou e persistem as deficiências na atenção e na prevenção.

Como resultado, a tuberculose continua matando mais pessoas que qualquer outra doença infecciosa. Há problemas importantes associados com a resistência aos antibióticos, e é a principal causa da morte de pessoas vivendo com HIV.

“Um dos principais problemas foi a falta de vontade política e o investimento inadequado na luta contra a tuberculose”, disse Tedros. “A declaração de hoje deve ir de mãos dadas com um maior investimento”.

Américas

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, disse na conferência que, nas Américas, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sobre a tuberculose foram alcançados antes do previsto.

“Apesar de nosso êxito relativo, nas Américas continuamos enfrentando um desafio difícil — abordar a tuberculose de uma maneira que ninguém fique para trás”, disse. “Como muitos outros problemas de saúde pública, a persistência da tuberculose, uma doença que é evitável e curável, é em grande parte consequência de sérias desigualdades sociais e econômicas que permanecem na região”, disse.

Etienne disse que a pobreza, condições de superlotação em prisões, coinfecções por HIV, assim como diabetes e má-nutrição, contribuem para a resistência da tuberculose nas Américas, junto com as crenças culturais e as barreiras que limitam o acesso aos serviços de saúde.

“Todos esses problemas tendem a se ampliar nas pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, como aqueles que moram nas ruas ou estão privados de liberdade, abusam de substâncias, assim como as populações indígenas e as crianças”, completou.

“A luta contra a tuberculose é urgente”, disse Etienne aos participantes. “Mas para manter o impulso, precisamos continuar construindo sistemas de saúde mais fortes onde os serviços de qualidade para a tuberculose, o HIV, a malária, os defeitos do tubo neural, as doenças emergentes e não transmissíveis estejam disponíveis para todos”, declarou.

A diretora da OPAS disse ainda que os compromissos da conferência “dão uma grande oportunidade” de aproveitar o apoio político para “tornar realidade a eliminação da tuberculose”. Afirmou também que um mundo livre de tuberculose deve ser o objetivo final.

Os países das Américas reduziram drasticamente os novos casos e mortes por tuberculose nos últimos 25 anos. Apesar disso, quase 270 mil pessoas contraíram a doença em 2015, e cerca de 50 mil não sabem que estão doentes.

Compromissos firmados

Participaram da reunião ministros e delegações de países, assim como representantes da sociedade civil e organizações internacionais, cientistas e pesquisadores. Mais de 1 mil pessoas participaram da conferência de dois dias que teve como resultado o compromisso coletivo de impulsionar a ação em quatro frentes.

A primeira delas é avançar rapidamente para alcançar a cobertura universal de saúde, fortalecendo os sistemas de saúde e melhorando o acesso à prevenção e atenção da tuberculose centrada nas pessoas, e assegurar que ninguém seja deixado para trás. Outra frente é mobilizar um financiamento suficiente e sustentável por meio de maiores investimentos nacionais e internacionais para acabar com as brechas em pesquisa.

A terceira frente é avançar na pesquisa e no desenvolvimento de novas ferramentas para diagnosticar, tratar e prevenir a tuberculose, e a quarta é gerar instância de prestação de contas através de um marco para monitorar e revisar o progresso na eliminação da tuberculose, incluindo os enfoques multissetoriais.

Os ministros também prometeram minimizar o risco e a disseminação da resistência a medicamentos e fazer mais para envolver as pessoas e as comunidades afetadas pela tuberculose.