Maioria partiu da Líbia rumo à Itália e Malta. Agência da ONU para Refugiados reforça pedido para que comandantes de navios estejam atentos e cumpram dever de resgatar barcos em perigo.

Migrantes chegam à Ilha Lampedusa após cruzar Mediterrâneo. Foto: ACNUR/F. Noy
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que cerca de 8,4 mil migrantes e requerentes de asilo desembarcaram na costa da Itália e de Malta nos primeiros seis meses deste ano.
Cerca de 7,8 mil deles chegaram à Itália, enquanto Malta recebeu em torno de 600. A maioria das pessoas que fizeram a viagem partiu principalmente da Líbia – em torno de 6,7 mil. Os demais são da Grécia e da Turquia.
Os países da África Subsaariana são a principal origem desses migrantes e requerentes de asilo, em particular da Eritreia e da Somália. Outras origens incluem Egito, Paquistão e Síria. Cidadãos do Afeganistão, Gâmbia e Mali também fazem esses cruzamentos, mas em menor número.
No mesmo trajeto, o ACNUR registrou cerca de 40 mortes nos primeiros seis meses de 2013. “O Mediterrâneo é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, bem como uma fronteira marítima perigosa para os migrantes e requerentes de asilo em rota para o sul da Europa”, disse nesta sexta-feira (5) o porta-voz da agência, Adrian Edwards.
“Em vista dos perigos, o ACNUR pede novamente que todos os navios no mar estejam em alerta para os migrantes e os refugiados que precisam de resgate”, disse Edwards em Genebra, Suíça. “Também renovamos nosso apelo a todos os comandantes no Mediterrâneo para se manterem vigilantes e cumprir seu dever de resgatar navios em perigo.”
No ano passado, cerca de 15 mil imigrantes e requerentes de asilo chegaram a Itália e Malta por mar, enquanto quase 500 pessoas morreram ou desapareceram durante o trajeto.
ACNUR distribui ajuda humanitária a sírios nas Ilhas Mediterrâneas
O ACNUR enviou ajuda para para as famílias recentemente deslocadas na Síria que hoje vivem entre os 10 mil habitantes de Arwad, única ilha mediterrânea síria habitada.
No último fim de semana, o município confirmou que a maior parte dos itens foi distribuída, em 19 de junho, para 119 famílias locais (600 pessoas) e a cerca de 60 famílias (300 pessoas) que deixaram suas casas no continente, nas cidades de Homs or Aleppo. Os deslocados foram hospedados por famílias que vivem na ilha, onde muitos deles possuem parentes e amigos.
Os itens – colchões, colchonetes, lonas plásticas, kits de higiene, utensílios de cozinha, enlatados, fraldas para as crianças e idosos e absorventes higiênicos – foram entregues no porto sírio de Tartus, e depois colocados em três barcos para a viagem de 20 minutos até Arwad. Todos foram armazenados em dois estabelecimentos comerciais vazios, que se tornaram também armazéns e centros de distribuição. A operação foi liderada pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio.
A equipe do ACNUR afirmou que a situação econômica da pequena ilha piorou desde o início da crise síria, há dois anos, e que o setor pesqueiro tem sofrido por causa da insegurança.
Os conflitos na Síria começaram em março de 2011, em razão dos levantes contra o presidente Bashar al-Assad. A violência no país já causou mais de 93 mil mortes e 1,7 milhão de pessoas se refugiaram em nações vizinhas.