Mais de mil homens, mulheres e crianças foram mortos desde o início dos protestos na Síria

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou hoje (09/06) a violenta repressão pelas autoridades sírias contra manifestantes pacíficos e pediu ao Governo que responda a seus pedidos de envio de uma missão investigativa ao país.

Navi PillayA Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou hoje (09/06) a violenta repressão pelas autoridades sírias contra manifestantes pacíficos e pediu ao Governo que responda a seus pedidos de envio de uma missão investigativa ao país. Ela observou que organizações não-governamentais relatam que mais de 1.100 homens, mulheres e crianças foram mortos desde o início dos protestos, em março, e que cerca de dez mil pessoas estão detidas.

“Estamos recebendo um número crescente de relatos alarmantes que denunciam os contínuos esforços do Governo sírio em esmagar brutalmente os protestos civis,” disse a Alta Comissária. “É absolutamente deplorável que qualquer governo tente ameaçar a sua população usando tanques, artilharia e atiradores de elite,” acrescentou. “Peço ao Governo que cesse estes ataques aos direitos mais fundamentais de seu próprio povo.”

Dizendo que “puras estatísticas não revelam toda a extensão de cada um dos crimes,” Navi Pillay referiu-se ao caso de Hamza al-Khatib, menino de 13 anos supostamente sequestrado e torturado até a morte pelas forças de segurança locais. “O assassinato e a mutilação inimaginavelmente cruéis desta criança parece ser emblemático da falência moral e legal da aparente política de esmagar a dissidência através de todos os meios disponíveis,” afirmou. Ela expressou especial preocupação com relatos de civis fugindo da cidade de Jisr al-Shughour, após recentes ameaças de autoridades do governo.

Em sessão extraordinária realizada em abril, o Conselho de Direitos Humanos autorizou o envio de uma missão investigativa à Síria. Pillay disse que “até agora não recebemos qualquer resposta oficial do Governo – positiva ou negativa.” A equipe programou a emissão de um relatório preliminar sobre a situação na Síria para o Conselho sediado em Genebra no dia 15 de junho. A Alta Comissária lembrou também aos países vizinhos que nenhum sírio deve ser enviado de volta ao país contra a sua vontade, levando em conta a atual situação dos direitos humanos, e pediu aos Estados que mantenham as suas fronteiras abertas para refugiados deste país.

Os comentários Pillay coincidem com a consideração de um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando a violência na Síria, entregue ontem, mas ainda não discutido. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), por sua vez, pediu enfaticamente calma e moderação após a morte de refugiados palestinos na Síria durante os recentes acontecimentos, inclusive em Yarmouk, lar de um terço da comunidade no país.