Comunidade e funcionários locais aprovaram o programa e destacam a importância da atenção básica. Mariurges Ramirez, médica cubana, diz que “equipe foi seu alicerce”.
No último dia 30 de setembro, a comunidade de Quissamã em Itaboraí, a 45km do Rio de Janeiro, celebrou a reinauguração do centro de saúde, totalmente ampliado e reformado. Durante quase três anos, a população sofreu com falta de atendimento médico na região.
Desde fevereiro, os cerca de 3,2 mil pacientes cadastrados na Unidade Básica de Saúde da Famíali (UBSF) Vereador Eugênio Marins Coutinho contam com a atenção da médica cubana, Mariurges Ramírez, do Programa ‘Mais Médico’, iniciativa apoiada pelo Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).
“No começo foi muito difícil, porque, além das diferenças do idioma, da adaptação aos processos de trabalho no Brasil, com os prontuários e relatórios, nós ainda estávamos trabalhando em um espaço improvisado. Então realmente no começo eu pedia muito a ajuda da equipe, para tudo. Eles foram o meu alicerce”, conta a médica.
Para adaptar-se à nova realidade, Mariurges acompanhava os médicos brasileiros nas consultas, para entender melhor a abordagem, os aspectos culturais da população e aprender a parte burocrática das rotinas médicas brasileiras. Quando finalmente começou a clinicar, contava com alguém da equipe ao seu lado durante todo o atendimento, para ter a certeza de que o paciente estava entendendo o diagnóstico, as prescrições e o tratamento.
“Hoje eu faço tudo sozinha, os pacientes me entendem, e a minha relação com a equipe é maravilhosa. Então eu não tenho do que me queixar, e acredito que o Programa Mais Médicos é um sucesso incontestável”, alega a médica cubana.
Paciente de Mariurges, Aguinaldo Leite Coutinho afirmou que no começo não acreditava no Programa ‘Mais Médicos’, mas ressalta que hoje, não só ele como a comunidade toda é a favor da iniciativa: “Eu não acreditava não, eu pensava: ‘Médico cubano? Vem para o Brasil fazer o quê?’ E hoje eu sou totalmente a favor, eu e todo mundo aqui. A médica é muito boa mesmo, e esse programa tem que continuar”.
Prioridade é atenção médica à população
O secretário municipal de Saúde de Itaboraí, Edilson Santos, ressalta que não adianta os médicos brasileiros persistirem em um embate corporativista enquanto a população fica sem receber atenção básica de saúde por falta de médicos de família.
E por isso ele defende não só a manutenção do Programa Mais Médicos, mas a transformação do projeto em uma estratégia de governo, desde que ressaltando o investimento em educação, com a criação de mais universidades e residências médicas, além de uma profunda discussão de mudança no modelo de formação dos médicos no Brasil.
“A gente sabe que o programa não é a solução definitiva. Tanto que nós estamos nos empenhando em trazer para Itaboraí uma faculdade de medicina e também internato e residência médica em atenção básica, porque, a partir do momento que você forma o profissional no território, você tende a fixar mais o profissional naquele território”.