Estado acolhe atualmente 264 profissionais do Mais Médicos. Desses, 185 são cubanos e 79 são ou brasileiros, ou intercambistas individuais. Estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) elogia compromisso dos médicos em municípios atendidos exclusivamente pelo Programa. Documento chama atenção para o envolvimento positivo dos estrangeiros de Cuba na prestação de serviços de saúde.

O Mais Médicos é iniciativa do governo federal para
expandir o acesso da população brasileira à saúde. Foto: OPAS
Em novo estudo sobre a atuação de profissionais do Mais Médicos em cidades do Rio Grande do Norte atendidas exclusivamente pelo programa, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revela que os clínicos participantes da iniciativa conseguiram melhorar o atendimento à população e o funcionamento dos sistemas de saúde locais.
Realizada em Jardim do Seridó, Riacho de Santana, Venha Ver e Vera Cruz — municípios de pequeno porte e com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) —, a pesquisa avaliou não apenas o alcance quantitativo do Mais Médicos, mas também desenvolveu um trabalho de campo com entrevistas para identificar variações qualitativas nos serviços de saúde.
As quatro cidades selecionadas fazem parte do Semiárido nordestino e estão entre os cerca de 4,9 mil municípios do Brasil — 88% do total — com população inferior a 50 mil habitantes.
O documento da OPAS explica que, embora esses centros urbanos menores concentrem 44% da população brasileira, problemas como a indisponibilidade e a alta rotatividade de médicos são recorrentes nos locais, principalmente para a atuação no cuidado primário de saúde.
Cerca de 700 municípios desse grupo jamais haviam tido um médico residente em seu território antes do Mais Médicos.
No Rio Grande do Norte, o Programa conta com 264 profissionais, dos quais 185 são cooperados cubanos e 79 são ou brasileiros, ou intercambistas individuais.
Juntas, as equipes do Mais Médicos alcançam 729 mil pessoas em 101 dos 167 municípios do estado. O contingente vinculado ao projeto representa mais de um quarto do total de profissionais associados à estratégia estadual de saúde da família.
Comprometimento, trabalho em equipe e disponibilidade
Ao longo das entrevistas conduzidas nos quatro municípios, os pesquisadores da OPAS descobriram que a chegada dos clínicos do Mais Médicos contribuiu para fortalecer o planejamento das atividades dos sistemas de saúde e o sentimento, junto aos profissionais, de que todos pertencem a uma equipe com um propósito e engajamento comuns.
A disponibilidade e a pontualidade dos médicos associados ao Programa também foram elogiadas por integrantes do sistema de saúde e pacientes.
Moradores e enfermeiros das cidades lembram que, devido aos numerosos vínculos empregatícios de profissionais contratados antes do Mais Médicos, não havia garantia de que as pessoas seriam atendidas quando chegassem a uma clínica de atenção básica.
Usuários dos serviços de saúde também relataram melhorias no atendimento, relacionadas ao cuidado que os médicos têm em ouvir suas queixas, à paciência e à gentileza nas consultas e mesmo em momentos fora do horário de trabalho estipulado pelo Ministério da Saúde.
Uma das conclusões do estudo da OPAS é de que mesmo as populações em situação de vulnerabilidade social conseguem distinguir diferentes padrões de atendimento, valorizando o compromisso do médico com a saúde dos pacientes.
A respeito dos médicos cubanos, o organismo regional afirma que sua formação profissional e a competência social — adquirida numa sociedade que estimula a cooperação e a solidariedade, inclusive no campo internacional — estão entre os fatores responsáveis pelo maior envolvimento desses profissionais com a atenção básica, que se beneficia de um “modo diferenciado” de prestar serviços de saúde.
Acesse a pesquisa da OPAS na íntegra aqui.