Malauí: ONU lança aplicativo para captar recursos e levar alimentação escolar a 58 mil crianças

Malauí passar por crise de fome devido a secas intensas provocadas pelo El Niño que reduziram produção da agricultura. Mais de um terço da população enfrentará insegurança alimentar durante os próximos nove meses. Desnutrição infantil custa ao país mais de 10% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Iniciativa do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU quer reverter cenário.

Foto: ONU Malauí

Foto: ONU Malauí

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) lançou no início de agosto (3) um aplicativo para smartphone que visa a arrecadar fundos para fornecer refeições escolares em Zomba — distrito ao sul do Malauí onde a seca provocada pelo El Niño reduziu severamente o rendimento das colheitas.

“O Malauí está em uma situação extremamente vulnerável. Estima-se que mais de uma em cada três pessoas sofrerá de insegurança alimentar durante os próximos nove meses,” disse a representante do PMA no país, Coco Ushiyama.

“As pessoas ao redor do mundo que têm o suficiente para comer podem facilmente imaginar o impacto terrível que a fome tem sobre as crianças em tal situação”, disse a especialista, encorajando os usuários de smartphones a doar fundos através do aplicativo gratuito ”Share The Meal” (Compartilhe a Refeição, em tradução livre).

O objetivo do software, que aceita pequenas quantias de dinheiro, como cinquenta centavos por dia, é conseguir recursos para fornecer merenda durante um ano inteiro para 58 mil crianças em idade escolar em Zomba. O distrito é severamente afetado pela seca e enfrenta altos níveis de insegurança alimentar.

Através do programa de refeições escolares do PMA, as crianças — de seis a 13 anos de idade — receberão um mingau fortificado. De acordo com a agência da ONU, uma refeição quente diária no colégio aumenta a participação das crianças e melhora a capacidade de aprendizado delas.

Estimativas apontam que, para cada um dólar gasto em refeições escolares no Malauí, pelo menos seis dólares serão devolvidos em melhor saúde e produtividade quando as crianças se tornarem adultas.

Mais de um terço das crianças com menos de cinco anos no Malauí são raquíticas devida à desnutrição. O estudo ”O Custo da Fome na África”, realizado no país, apontou que a desnutrição infantil custa a esta nação africana mais de 10% de seu Produto Interno Bruto (PIB).