Mali: Chefe da UNESCO lamenta destruição de mais mausoléus em Timbuktu

Pelo menos 6 mausoléus já foram destruídos desde julho deste ano. Segundo a Organização, Timbuktu era uma capital intelectual e espiritual, bem como um centro de propagação do Islã na África nos séculos 15 e 16.

Mesquita Sankore na lendária cidade de Timbuktu, no Mali. (UNESCO/F. Bandarin)

A chefe da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) apelou ontem (25) à comunidade internacional para agir com urgência para proteger o patrimônio cultural do Mali. O pedido foi feito após a última onda de destruição em Timbuktu.

“Estou profundamente chocada com a ferocidade que marcou a última onda de destruição de mausoléus em Timbuktu”, disse a Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova.

Pelo menos três mausoléus foram destruídos no dia 23 de dezembro no Mali, incluindo a dos gêmeos Al Hassan e Al Houseyni, disse a agência em um comunicado.

Bokova reiterou o compromisso da UNESCO de ficar ao lado do povo do Mali, feito após a primeira onda de destruição em julho passado, quando os mausoléus de Sidi Mahmoud, Sidi Mokhtar e Alpha Moya, também em Timbuktu, foram atacados.

Duas missões de emergência foram realizadas para avaliar os danos e o Comitê das Nações Unidas do Patrimônio Mundial aprovou uma resolução para criar um fundo de emergência para a reabilitação e salvaguarda do patrimônio cultural do Mali.

Segundo a UNESCO, Timbuktu era um capital intelectual e espiritual, bem como um centro de propagação do Islã na África nos séculos 15 e 16.

O Norte do Mali foi ocupado por radicais islâmicos após os combates começaram em janeiro entre forças do governo e rebeldes tuaregues – apenas um dos vários problemas de segurança, políticos e humanitários da nação do oeste africano este ano.

Os novos confrontos no norte, bem como a proliferação de grupos armados na região, a seca e a instabilidade política na sequência de um golpe militar de Estado em março, deslocaram centenas de milhares de civis este ano. Mais de 412 mil pessoas foram forçadas a fugir da região. No total, 5 milhões de pessoas foram afetadas pelo conflito.

Na última sexta-feira (21), o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a todos os atores sociais no país que finalizem e implementem rapidamente um roteiro de transição até as eleições, a fim de dar um fim para a crise no país e ao sofrimento de seu povo.

Acesse abaixo imagens (descrição em inglês) do conflito, filmadas pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

http://youtu.be/NteceSG5RNI