Mali: depois de dois meses da intervenção francesa, população ainda tem medo de voltar para casa, alerta ONU

Cerca de 430 mil pessoas foram obrigadas a sair de suas casas desde que os combates começaram há mais de um ano. Insegurança, falta de serviços e medo de represálias impedem as pessoas de voltar.

Com a retomada dos serviços de ônibus no país, algumas pessoas têm voltado para casa a partir de cidades como a capital, Bamako Foto: ACNUR/H. Caux

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lembrou nesta sexta-feira (1) que os esforços para alcançar a reconciliação e combater a impunidade são fundamentais para evitar que o deslocamento no Mali — onde cerca de 430 mil pessoas foram obrigadas a sair de suas casas desde que os combates começaram há mais de um ano — dure ainda muito tempo.

Quase dois meses depois da intervenção francesa, o número de pessoas deslocadas internamente, bem como o de refugiados, ainda é elevado e, em alguns casos, continua a aumentar à medida que muitas pessoas temem voltar para suas casas, mesmo com a melhoria da situação de segurança.

Em alguma regiões de Mopti, Gao e Timbuktu, ainda há relatos de ataques e a presença de minas e explosivos não detonados. A ausência de serviços no norte também atrasa a volta dos que deixaram suas casas.

Para os refugiados, de maioria tuaregue ou árabe, o medo de represálias ou da permanência de extremistas radicais faz com que não queiram voltar a seu país de origem.

“O ACNUR acredita que os esforços de reconciliação são urgentemente necessários e devem acontecer em conjunto com políticas para combater a impunidade e incentivar a convivência pacífica entre as comunidades, o que ajudará a estabilização e a segurança em longo prazo. Todos estes fatores evitarão que a crise de deslocamento do Mali se torne mais prolongada”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards.