Mali enfrenta emergência humanitária e já tem mais de 435 mil deslocados, afirma relatório do OCHA

Relatório alerta sobre crise no país, que enfrenta conflitos desde janeiro além de insegurança alimentar.

Comida e óleo de cozinha são distribuidos para deslocados do norte de Mali em um abrigo temporário em Mopti. Foto: PNUD/Nicolas Meulders
Um relatório divulgado ontem (15) pela agência de assistência das Nações Unidas traz informações sobre a situação no Mali, no momento em que o país enfrenta uma complexa emergência humanitária decorrente do conflito, que se estende desde janeiro, e da insegurança alimentar na região.

Produzido pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o relatório constata que das 435 mil pessoas deslocadas, aproximadamente 262 mil se registraram na ONU como refugiadas em países vizinhos incluindo Níger, Burkina Fasso e Algéria, enquanto outros 174 mil são deslocados internos nas cidades nortes de Timbuktu, Gao e Kidal.

O conflito entre as forças do Governo e os rebeldes Tuareg começou em janeiro no norte de Mali. A proliferação de grupos armados na região e a instabilidade política que se seguiu ao golpe militar em março levaram a novos confrontos e a uma situação de instabilidade e insegurança que provocou um deslocamento massivo.

Aliado ao conflito, a localização geográfica de Mali na região do Sahel, cinturão semi-árido que atravessa o norte da África, agrava a emergência humanitária expondo o país ao risco da fome. A segurança alimentar também é ameaçada por uma praga de gafanhotos, que se espalha no norte do país e ameaça a produção agrícola. O relatório alerta que os refugiados e deslocados estão necessitando urgentemente de comida, abrigo e água.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informou que cerca de 4,6 milhões de pessoas precisam de assistência alimentar no momento. Até agora, Programa Mundial de Alimentos (PMA) alcançou 360 mil pessoas no sul de Mali e mais de 148 mil no norte, de acordo com o relatório. Para resolver este problema, a agência de ajuda alimentar também está organizando atividades que incluem reflorestamento, prevenção de erosão e desertificação e recuperação do solo que irão ajudar a alcançar a segurança alimentar no longo prazo.

No início deste mês, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, António Guterres, pediu mais fundos para ajudar refugiados do Mali. Até agora, os doadores forneceram 95,3 milhões dólares dos 213 milhões dólares necessários para responder à crise.