ONU lamenta morte de Mandela, uma ‘fonte de inspiração’ e ‘gigante da justiça’

“Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum”, disse Ban Ki-moon.

Nelson Mandela em 2009. Foto: NMF. Arte: UNIC Rio

Nelson Mandela em 2009. Foto: NMF. Arte: UNIC Rio

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou na noite desta quinta-feira (5) a morte do líder sul-africano Nelson Mandela.

Para Ban, Mandela foi “uma figura singular” no cenário global – um homem de “dignidade calma e realização imponente”, um “gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração”.

Leia abaixo a declaração na íntegra, em português, de Ban Ki-moon, e abaixo vídeos sobre Mandela.

“Nelson Mandela foi uma figura singular no cenário global – um homem de dignidade calma e realização imponente, um gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração.

Estou profundamente triste com a sua morte. Em nome das Nações Unidas, estendo minhas mais profundas condolências ao povo da África do Sul e, especialmente, à família de Nelson Mandela e entes queridos.

Muitos por todo o mundo foram fortemente influenciados por sua luta altruísta pela dignidade humana, igualdade e liberdade. Ele tocou nossas vidas de maneiras profundamente pessoais. Ao mesmo tempo, ninguém fez mais em nosso tempo para fazer avançar os valores e aspirações das Nações Unidas.

Nelson Mandela dedicou sua vida ao serviço do seu povo e da humanidade, e ele o fez com grande sacrifício pessoal. Sua posição de princípios e a força moral que sustentou foram decisivos no desmantelamento do sistema de apartheid.

Notavelmente, ele ressurgiu após 27 anos de detenção sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão. A Comissão da Verdade e da Reconciliação estabelecida sob a sua liderança continua a ser um modelo para alcançar a justiça nas sociedades que confrontam um legado de violações dos direitos humanos.

Na luta de décadas contra o apartheid, as Nações Unidas estavam lado a lado com Nelson Mandela e com todos aqueles na África do Sul que enfrentaram o racismo e a discriminação implacáveis. Seu discurso em 1994 a Assembleia Geral da ONU como o primeiro presidente democraticamente eleito de uma África do Sul livre foi um momento decisivo.

A Assembleia declarou 18 de julho, seu aniversário, como o Dia Internacional Nelson Mandela, uma celebração anual em que reconhecemos e procura,ps desenvolver a sua contribuição para a promoção de uma cultura da paz e da liberdade em todo o mundo.

Tive o privilégio de conhecer Nelson Mandela em 2009. Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum.

Nelson Mandela mostrou o que é possível para o nosso mundo e dentro de cada um de nós – se nós acreditarmos, sonharmos e trabalhar juntos.

Vamos continuar a cada dia a nos inspirarmos em seu exemplo ao longo da vida e seu chamado para nunca deixar de trabalhar por um mundo melhor e mais justo.”

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, 5 de dezembro de 2013 (leia também em inglês clicando aqui)

Ouça a matéria da Rádio ONU clicando aqui.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declarou: “Milhões de pessoas, incluindo muitos que nunca o conheceram, vai sentir uma profunda tristeza pessoal com a notícia de hoje, já que Nelson Mandela foi, talvez, o maior líder moral do nosso tempo. (…) Em seu último discurso à Assembleia Geral da ONU, em setembro de 1998, ele observou como a Declaração Universal (dos Direitos Humanos) tinha validado a luta contra o apartheid, mas também lançado o desafio de que ‘a nossa liberdade, uma vez alcançada, deve ser dedicada à aplicação das perspectivas contidas na Declaração’. Ele próprio nunca se desviou dessas perspectivas. Um homem verdadeiramente notável, cujo exemplo nunca deve ser esquecido.”

“Perdemos um dos apaixonados defensores do direito à alimentação”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva. “Como um verdadeiro campeão dos direitos humanos, Nelson Mandela entendeu que a fome de milhões de pessoas era injusta e insustentável.”

O presidente da Assembleia Geral da ONU, John Ashe, disse que todos os Estados-membros lamentavam a morte de Mandela e acrescentou que o exemplo de vida e as atitudes do sul-africano “demonstraram a diferença que uma pessoa pode fazer em face da adversidade, da opressão e do preconceito, mantendo uma postura de humildade, humor e modéstia tão rara entre as pessoas de sua importância”.

Já o Conselho de Segurança da ONU interrompeu uma reunião pública na tarde da quinta-feira (5) para realizar um momento de silêncio em homenagem a Mandela. O grupo emitiu um comunicado expressando profunda admiração pela “liderança moral e política” do sul-africano e seu papel decisivo na transição pacífica para uma África do Sul unida e democrática.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirmou que o ícone sul-africano também se destacou pelo esforço contra a degradação ambiental e as mudanças climáticas. Dentre as principais atividades que Mandela desenvolveu na área ambiental estão: a criação da “The Elders” (Os Anciãos, na sigla em português), organização que buscou unir um renomado grupo de chefes de Estado, advogados e outros para lutar, principalmente, contra a devastação do meio ambiente e mudanças climáticas; a participação na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que procurou discutir a melhora na qualidade de vida e conservação dos recursos naturais; e o discurso de inauguração que baseou o ‘South Africa’s WaterDome’.

A UNESCO também se manifestou. “Ele não apenas mudou a história da África do Sul, mas também mudou o mundo e fez dele um lugar melhor. Ele ensinou a todos nós uma lição sobre o poder da paz e da reconciliação, bem como sobre a importância do perdão e do respeito pela dignidade de cada ser humano”, disse a diretora-geral da agência da ONU, Irina Bokova.

O Agência da ONU para Refugiados divulgou um comunicado lamentando a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, que trabalhou com o ACNUR na ajuda a refugiados. “É com grande tristeza que recebi as notícias sobre a morte de Nelson Mandela”, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, no comunicado. “Sua sabedoria, generosidade e compaixão extraordinárias não apenas mantiveram a África do Sul unida após o colapso do apartheid, o que preveniu imensos deslocamentos humanos, como também fizeram dele um verdadeiro símbolo global para os oprimidos e perseguidos, e um exemplo para todos nós.”

O UNICEF afirmou que Mandela foi o “pai de sua nação” e dedicou grande parte de sua obra para as crianças. Por meio de sua Fundação, por exemplo, Mandela lançou, em parceria com a Sociedade Hamburgo e o UNICEF, a campanha “Escolas para a África” com o objetivo de incluir 2 milhões de crianças africanas na escola.

Campanha “Agir, inspirar a mudança” convida para 67 minutos de prestação de serviços comunitários. Cada minuto representa um ano em que Mandela se dedicou ao serviço público.

As Nações Unidas comemoram no dia 18 de julho deste ano o Dia Internacional Nelson Mandela, que celebra 95º aniversário do líder sul-africano e honra sua dedicação ao serviço público, à justiça social e à reconciliação que inspira milhões de pessoas no mundo.

Neste ano, a ONU se juntou à iniciativa “Agir, inspirar a mudança“, proposta pela Fundação Nelson Mandela. Nela, todos são convidados a prestar 67 minutos de serviço voluntário à comunidade. Cada um dos 67 minutos propostos representa um dos anos em que Mandela se dedicou ao serviço público, como advogado de direitos humanos, prisioneiro de consciência, pacificador internacional e primeiro presidente democraticamente eleito pós-apartheid na África do Sul.

“O coração do Dia Internacional Nelson Mandela são as boas obras para as pessoas e para o planeta. Seu tema destina-se a mobilizar a família humana para fazer mais para construir um mundo pacífico, sustentável e equitativo. Esta é a melhor homenagem que podemos prestar a um homem extraordinário que encarna os mais altos valores da humanidade”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem para o dia.

Confira um vídeo marcando a data em 2010: