Métodos tradicionais de resolução de conflito aliados a técnicas de mediação criam soluções pacíficas para disputas locais
Uma antiga e violenta disputa de terras entre duas comunidades tradicionais de Metinaro, cidade vizinha à Díli, capital do Timor-Leste, teve um desfecho nada trágico: danças e cantos típicos, um belo discurso e uma ceia coletiva. A celebração, com direito a banquete de porco e cabra de um rebanho local, ocorreu após três meses de diálogo comunitário, que adaptou técnicas formais de negociação a métodos locais tradicionais de resolução de conflitos.
“A gente fala em democracia, mas se esquece de como respeitar os outros”, diz Adão Araújo, administrador de Metinaro, uma das regiões mais populosas do distrito de Díli. “Nós achamos uma forma de amar a nossa comunidade e acabar com a violência”, completa.
Membros de grupos rivais de artes marciais, junto de respeitados anciões locais de duas vilas vizinhas, assinaram um documento se comprometendo, entre outras coisas, a abandonar a violência como resolução de conflitos, deixar de ocupar terras alheias e respeitar o meio ambiente, proibindo a caça em locais de preservação. A cerimônia, conhecida localmente como Tara Bandu, reuniu mais de 500 moradores, que celebraram com entusiasmo o acordo comunitário.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) tem trabalhado para fortalecer a capacidade do governo timorense em evitar que disputas locais como essa se tornem conflitos violentos e generalizados.