Medidas de austeridade econômica na Grécia afetam direitos humanos, alerta especialista da ONU

Ações pelo controle de gastos prejudicam o acesso a emprego, saúde, água e energia. Mais de 10% da população grega vive em extrema pobreza e o desemprego juvenil atingiu taxa de 59,3%.

Grave crise financeira na Grécia gerou instabilidade social. Foto: IRIN / Kristy Siegfried

Grave crise financeira na Grécia gerou instabilidade social. Foto: IRIN / Kristy Siegfried

A Grécia e seus credores internacionais de resgate devem adotar uma estratégia baseada nos direitos humanos para a reforma econômica, disse nesta quarta-feira (1) o Especialista Independente sobre a Dívida Externa e Direitos Humanos, Cephas Lumina. O especialista alertou que algumas medidas de austeridade que buscam o controle de gastos estão prejudicando o acesso das pessoas a emprego, saúde, água e energia.

A fim de evitar a inadimplência, a Grécia concordou em 2010 com a Comissão Europeia, com o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em implementar cortes radicais nas despesas do governo em troca de um empréstimo de resgate, disse ele. A Grécia também adotou um programa de reformas estruturais destinadas a reduzir o déficit fiscal do país e retomar o crescimento da economia.

No entanto, apesar das medidas de austeridade severas, a economia grega encolheu em cerca de 25% e continua em recessão. O programa de austeridade, disse ele em comunicado à imprensa, estava sendo implementado no contexto de um sistema de proteção social insuficiente para absorver o choque do desemprego, dos cortes salariais e dos aumentos de impostos.

“Mais de 10% da população na Grécia agora vive em extrema pobreza e o desemprego entre os jovens atingiu um ritmo sem precedentes de 59,3%”, disse Lumina, em uma notícia enviada no final de sua missão no país.