Melhoria da produtividade é chave para aumentar coesão social, avalia OIT

Em uma década, o número de trabalhadores na América Latina e Caribe passou de 207 milhões para cerca de 280 milhões, produzindo 5,8 bilhões de dólares. Com 244 milhões de profissionais, Europa produz quase o triplo.

A região da América Latina e do Caribe deve melhorar a produtividade e o papel distributivo do mercado de trabalho para conseguir um grau de coesão social que permita avanços na luta contra a pobreza e a desigualdade, afirmou na terça-feira (16) a Diretora Regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Elizabeth Tinoco.

“A região cresceu durante os últimos anos, mas precisamos perguntar quanto desse crescimento econômico chegou aos lares”, declarou Tinoco no Fórum sobre Coesão Social da União Européia (UE) e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) em Rosário, Argentina.

A Diretora Regional da OIT para América Latina e Caribe acrescentou que “é preciso retomar o tema do desafio da distribuição da riqueza através do salário e de outras formas de transferência para as pessoas, porque o crescimento econômico é importante, mas não é suficiente para enfrentar desafios como a desigualdade e a pobreza”.

Segundo dados apresentados no encontro, em uma década, o número de trabalhadores na América Latina e Caribe passou de 207 milhões para cerca de 280 milhões de mulheres e homens, os quais produzem cerca de 5,8 bilhões de dólares. Em comparação, a União Europeia tem cerca de 244 milhões de trabalhadores que produzem quase o triplo.“Não se trata de que em nossa região trabalhem menos, já que às vezes trabalham inclusive mais horas por ano, senão de que existem grandes diferenças em matéria de produtividade”, explicou Tinoco.

De acordo com a Diretora Regional da OIT, na América Latina e no Caribe existe uma estrutura produtiva heterogênea, “com uns poucos setores produzindo muito e setores com muitos trabalhadores produzindo pouco”.

“Com uma estrutura produtiva deste tipo é difícil falar de coesão social. Se alguns setores explicam a maior parte do crescimento e o resto participa marginalmente, é claro que haverá tendência à fratura social”, avaliou Tinoco. “Precisamos empreender uma agenda de articulação produtiva entre os diferentes setores.”