Colonialismo, globalização e crescimento do uso da Internet são apontados como causas da extinção de idiomas minoritários, que devem ser protegidos pelos Estados.

Relatora Especial da ONU sobre as questões das minorias, Rita Izsak. Foto: ACNUDH
Metade das cerca de 6 mil línguas do mundo provavelmente desaparecerá até o fim do século se esforços urgentes não forem feitos para proteger as minorias e seus idiomas, afirmou nesta terça-feira (12) a Relatora Especial da ONU sobre as questões das minorias, Rita Izsak.
“A língua é um elemento central e expressão de identidade e de importância fundamental para a preservação da identidade do grupo”, destacou Izsak ao apresentar relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.
A Especialista Independente acrescentou que a linguagem pode ser uma fonte de tensão já que defensores dos direitos linguísticos são algumas vezes associados a movimentos separatistas ou vistos como ameaça à integridade ou unidade de um Estado que tenha “promovido agressivamente uma única língua nacional como meio de reforçar a soberania, unidade nacional e integridade territorial.”
Além de fatores históricos, como o colonialismo, Izsak apontou como causa do desaparecimento de muitas línguas a globalização e o crescimento do uso em massa da Internet. Ela reforçou que a preservação de línguas minoritárias é uma obrigação dos Estados sob a ótica dos direitos humanos e que é importante utilizá-las na educação, na vida pública, na mídia, nos campos da administração pública e judicial, entre outros.
Em fevereiro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) já havia recomendado o uso de livros e livros didáticos nas línguas locais.