México: ONU fala em ‘preocupações profundas’ sobre caso de estudantes desaparecidos

Ainda sem que a análise forense tenha sido concluída, há relatos de que os corpos gravemente queimados encontrados recentemente em Guerrero, no México, sejam dos estudantes desaparecidos.

Estudantes mexicanos protestam no México. Foto: YoSoy132/divulgação

Estudantes mexicanos protestam no México. Foto: YoSoy132/divulgação

O Escritório da ONU para os direitos humanos (ACNUDH) advertiu na última sexta-feira (14) que não se deve tirar conclusões precipitadas em relação à investigação “complexa e contínua” acerca do desaparecimento dos 43 estudantes no Estado de Guerrero, no México.

A advertência vem em meio aos relatos de que os corpos encontrados recentemente, gravemente queimados, seriam dos estudantes desaparecidos.

Com a equipe do ACNUDH acompanhando de perto a investigação no país, inclusive visitando as sepulturas e aterros sanitários, a agência da ONU alertou que a identificação dos corpos carbonizados por meio do DNA talvez não seja possível devido à extensão das queimaduras.

Na ocasião, um porta-voz do escritório da ONU reforçou que todos devem aguardar o fim da análise forense para tirar conclusões sobre o caso.

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, os estudantes foram vistos pela última vez em 26 de setembro, quando chegaram em Iguala, no Estado de Guerrero, para participar de um protesto.

Ao desembarcarem do ônibus, os estudantes foram bloqueados pela polícia que, segundo relatos, estava operando em conjunto com gangues locais. A polícia teria atirado nos estudantes, matando seis pessoas – incluindo um adolescente de 15 anos – e deixando 17 feridos. Outros 43 foram levados sob custódia.

Como resultado das investigações iniciais, 52 pessoas foram presas em conexão com o desaparecimento dos estudantes, incluindo 36 policiais.

Para ajudar no caso, forças de segurança, investigadores e recursos técnicos foram enviados para Iguala e para a região. Além disso, o ministro de Interior e o procurador-geral estabeleceram um diálogo direto com as famílias, estudantes e organizações da sociedade civil.