Em março, meios de comunicação do México acusaram defensores dos direitos humanos e organizações da sociedade civil de diversos crimes e infrações. Para especialistas da ONU, autoridades devem se opor aos ataques midiáticos e garantir ambiente seguro.

Marcha por Ruben Espinosa, jornalista assassinado na Cidade do México. Foto: Wikicommons/EneasMx (CC)
Três especialistas de direitos humanos da ONU solicitaram ao governo do México na quarta-feira (6) que expresse seu apoio pleno ao trabalho de organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos. Em março, entidades e indivíduos engajados na luta contra violações foram alvo de uma campanha de difamação na imprensa mexicana.
Meios de comunicação acusaram diversos ativistas e organizações de terem cometido fraudes e agido de forma corrupta, de defenderem supostos criminosos e alegarem, mentirosamente, crimes de tortura, promovendo assim a impunidade.
As críticas foram direcionadas tanto a mexicanos e entidades não governamentais do México, quanto a organismos internacionais presentes no país.
O relator especial da ONU sobre a situação dos defensores de direitos humanos, Michel Forst, ressaltou que o trabalho de ativistas “contribuiu ativamente para promover o acesso das vítimas à justiça e à verdade, e é particularmente importante num contexto em que sérias violações dos direitos humanos ocorrem e, em grande parte, permanecem sem punição”.
Para o especialista, as autoridades mexicanas devem reconhecer publicamente que a defesa de direitos e das vítimas de violência “não é apenas legítima, como também é fundamental para fortalecer o Estado de Direito, a responsabilização e a democracia no interior do país”.
A relatora sobre as liberdades de reunião e associação pacíficas, Maina Kiai, afirmou que “o governo precisa se opor a tais ataques (da imprensa) e tomar medidas para garantir um ambiente seguro para indivíduos e para a sociedade civil, livre de assédios de qualquer tipo”.
“Qualquer ataque contra o trabalho realizado por defensores dos direitos humanos cria um efeito limitador, silenciando visões e expressões contrárias (manifestas) por todos aqueles que exercem seus direitos à liberdade de expressão ou à liberdade de reunião e associação pacíficas”, alertou ainda o relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de expressão, David Kaye.