O México precisa adotar medidas ousadas para combater a violência contra jornalistas, disseram dois especialistas em direitos humanos das Nações Unidas no início de dezembro (5), após visita oficial de uma semana para analisar a situação da liberdade de expressão no país.

Marcha por Ruben Espinosa, jornalista assassinado na Cidade do México em 2015. Foto: Wikicommons/EneasMx (CC)
O México precisa adotar medidas ousadas para combater a violência contra jornalistas, disseram dois especialistas em direitos humanos das Nações Unidas no início de dezembro (5), após visita oficial de uma semana para analisar a situação da liberdade de expressão no país.
“A violência contra jornalistas tem sido uma crise para o México por mais de uma década e, apesar da criação de mecanismos de proteção e acusação pelo governo, a impunidade e a insegurança continuam a caracterizar a situação em todo o país”, disse David Kaye e Edison Lanza, relatores especiais para a liberdade de expressão das Nações Unidas e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), respectivamente.
“Nesta situação, pedimos que o governo aumente rápida e substancialmente os recursos disponíveis para os mecanismos que foram estabelecidos para entregar proteção e responsabilização. O México já tomou o elogiável passo de criar essas instituições; agora deve dar a elas as ferramentas para se tornarem efetivas.”
“A necessidade de estabelecer a proteção e a responsabilização será especialmente necessária em 2018, quando os mexicanos votarão nas eleições federais, estaduais e locais. Garantir a segurança dos jornalistas permite que eles reúnam e disseminem informações sobre questões do mais alto interesse público”, disseram os especialistas em comunicado conjunto no fim da visita.
“Ficamos inspirados com a paixão dos jornalistas que conhecemos, seu compromisso com seu papel de informar a sociedade mexicana, e sua vontade de investigar a corrupção, o crime organizado e outras questões de interesse público, independentemente dos riscos que podem enfrentar.”
Os relatores disseram ter ficado chocados com as histórias que ouviram dos jornalistas mexicanos, que apresentaram um cenário aterrador sobre o ambiente hostil que enfrentam. Abusos sexuais contra mulheres jornalistas, repórteres forçados a deixar suas casas, assassinatos e desaparecimentos, além da disseminada impunidade, eram características comuns em suas narrativas.
Os relatores especiais pediram que o governo conduza uma investigação independente sobre as acusações bem documentadas de vigilância digital contra jornalistas, defensores dos direitos humanos, políticos e outros. Eles expressaram particular preocupação com o fato de a vigilância ocorrer na ausência de controles legais e judiciais.
Durante sua missão, ocorrida de 27 de novembro a 4 de dezembro, os relatores especiais reuniram-se com mais de 250 jornalistas e membros de organizações da sociedade civil de 21 estados mexicanos. Eles apresentarão relatório completo sobre a visita em 2018.