‘Migrantes e refugiados não são meras vítimas que precisam de caridade’, afirma vice-chefe da ONU

Jan Eliasson elogiou países europeus por aceitar mais requerentes de asilo, mas pediu maiores esforços de integração dessa população, citando cinco áreas de atuação política.

“Nós testemunhamos milhares de pessoas morrerem em sua jornada para uma vida melhor, algumas delas hoje mesmo, no Mediterrâneo. Outras milhares estão traumatizadas. Muitas enfrentam discriminação”, disse o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson. Foto: ACNUR / Mark Henley

“Nós testemunhamos milhares de pessoas morrerem em sua jornada para uma vida melhor, algumas delas hoje mesmo, no Mediterrâneo. Outras milhares estão traumatizadas. Muitas enfrentam discriminação”, disse o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson. Foto: ACNUR / Mark Henley

Durante cúpula das Nações Unidas sobre migrantes e refugiados na Europa e na África, nesta quinta-feira (12), o vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, convocou líderes mundiais a buscarem soluções políticas capazes de combater a discriminação e preservar os direitos humanos das pessoas deslocadas, ao longo da atual crise.

“O fracasso da governança de refugiados e migrantes é fatal”, destacou o vice-secretário. Eliasson também afirmou que as pessoas forçadas a abandonar seus países não são apenas “vitimas que precisam de caridade”. “São seres humanos produtivos”, que podem dar uma contribuição positiva às nações que os acolhem, explicou.

O vice-dirigente da ONU ressaltou que detenções desnecessárias e fora de lei devem acabar e que todos os países devem respeitar o princípio da não-devolução e proibir as expulsões coletivas.

O vice-secretário propôs cinco áreas nas quais a atuação política desempenhará um papel essencial: “primeiro, temos que enfrentar as raízes do deslocamento, começando por oferecer às pessoas, em especial aos jovens, oportunidades e empregos; segundo, migrantes e refugiados devem ter a chance de se tornarem produtivos; terceiro, temos que nos preparar para melhor responder a movimentos amplos de migrantes e refugiados; quarto, precisamos de abordagens compreensivas; finalmente, a liderança política é necessária para combater a discriminação”.

Eliasson ainda elogiou os países europeus que estão mostrando solidariedade ao aceitar mais requerentes de asilo e agradeceu às nações africanas que, por muito tempo, abrigaram um número muito maior de refugiados, frequentemente “sem o apoio internacional do qual precisavam e que mereciam”.