Milhares de civis fogem do ‘reinado de medo e repressão’ na Eritreia, diz especialista da ONU

O número de eritreus que fogem de seu país atingiu mais de 400 mil – quase dobrando ao longo dos últimos seis anos, de acordo com a agência de refugiados da ONU.

Dois jovens eritreus esperam a bordo de uma balsa comercial na ilha de Samos, na Grécia. Um número crescente de eritreus estão buscando asilo na Europa. Foto: ACNUR / A. D'Amato

Dois jovens eritreus esperam a bordo de uma balsa comercial na ilha de Samos, na Grécia. Um número crescente de eritreus estão buscando asilo na Europa. Foto: ACNUR / A. D’Amato

A Comissão de Inquérito sobre os Direitos Humanos na Eritreia advertiu nesta quarta-feira (24) que a terrível situação no país já não pode ser ignorada e apelou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para manter um exame minucioso sobre as violações cometidas na região. O número de eritreus que fogem de seu país atingiu mais de 400 mil – quase dobrando ao longo dos últimos seis anos, de acordo com a agência de refugiados da ONU.

“O número de pessoas fugindo de um país tão pequeno – cerca de 5 mil pessoas por mês – está forçando o mundo a dar-se conta”, disse o presidente da Comissão, Mike Smith, à 29ª sessão do Conselho em Genebra após entregar seu relatório. “Imagine o impacto desta incerteza nos jovens eritreus que perdem todo o controle sobre seu próprio futuro. Causa surpresa que eritreus – a maioria deles jovens – sejam a segunda maior nacionalidade após sírios que recorrem a traficantes para atravessar o Mediterrâneo para a Europa por via marítima?”

De acordo com o relatório, por exemplo, a Eritreia nunca realizou eleições livres, não tem poder judicial independente, prisões arbitrárias são comuns – muitas vezes solicitadas por qualquer pessoa com autoridade de fato, com dezenas de milhares de eritreus sendo presos, muitas vezes sem acusação e por períodos indeterminados”.

“Em vez de um país governado pela lei e boa governação, a Eritreia que vemos hoje é marcada pela repressão e medo”, continuou Smith. “Desde a independência, o poder supremo na Eritreia manteve-se em grande parte nas mãos de um homem e um partido. Aqueles no controle muitas vezes governam arbitrariamente e agem com impunidade. O povo da Eritreia não têm voz na governança e pouco controle sobre muitos aspectos de suas próprias vidas”.