Nos primeiros nove meses de 2016, a luta armada no país matou o número recorde de 8.397 pessoas e descolou meio milhão em novembro. Mais da metade dos civis deslocados são crianças que, além da desnutrição, enfrentam maus-tratos e exploração, incluindo casamento forçado, abuso sexual e trabalho infantil.
Na terça (10), atentados terroristas deixaram dezenas de mortos e muitos outros feridos, incluindo o governador de Kandahar e o embaixador dos Emirados Árabes Unidos.

Família afegã na província de Faryab, norte do Afeganistão. Foto: ACNUR/S. Sisomsack
Apesar das tentativas de aumentar a assistência alimentar no Afeganistão, milhares de crianças no país enfrentam desnutrição aguda e 9,3 milhões de pessoas precisam de ajuda, advertiu o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na segunda-feira (9).
De acordo com o novo relatório do OCHA, a violência no país fez com que o número de pessoas em necessidade de assistência subisse 13% em relação ao ano passado.
Nos primeiros nove meses de 2016, a luta armada no país matou o número recorde de 8.397 pessoas e descolou meio milhão em novembro. Mais da metade dos civis deslocados são crianças que, além da desnutrição, enfrentam maus-tratos e exploração, incluindo casamento forçado, abuso sexual e trabalho infantil.
O OCHA observou que um dos piores perigos é a fome. Mais de um quarto de todas as províncias do Afeganistão têm taxas de desnutrição aguda superior a 15%, acima dos limiares de emergência.
Do total de 1,8 milhão de pessoas que necessitam de assistência para a desnutrição, pelo menos 1,3 milhão são crianças menores de cinco anos. Em setembro de 2016, apenas um quarto de milhão de crianças foi internada para tratamento, de acordo com os resultados do relatório.
Além disso, as culturas agrícolas no país no ano passado também tiveram queda na produção em 2015, com uma diferença de 1,2 tonelada.
ONU condena recentes ataques terroristas contra civis e diplomatas
Na quarta (11), as Nações Unidas condenaram os atentados terroristas ocorridos no dia anterior, perto do Parlamento na capital do Afeganistão, Cabul, e contra a residência do governador da província de Kandahar, pedindo que os autores sejam levados à justiça.
A missão da ONU no país disse que os ataques mataram mais de 40 pessoas, principalmente civis. Cinco diplomatas dos Emirados Árabes Unidos também foram mortos. Muitos outros ficaram feridos, incluindo o governador de Kandahar e o embaixador dos Emirados Árabes Unidos.
“Os ataques indiscriminados contra civis, incluindo diplomatas, são violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário e não podem ser justificados”, disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral.

Vista de Kandahar, no Afeganistão. Foto: UNAMA
De acordo com um comunicado de imprensa da Missão da ONU de Assistência no Afeganistão (UNAMA), pelo menos 13 civis foram mortos na explosão na residência do governador de Kandahar, no momento em que ele promovia um jantar para diplomatas e outras autoridades. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque.
A UNAMA também disse que um suicida do grupo Talibã detonou um colete de explosivos perto do Complexo de Administração Parlamentar em Cabul. Pouco tempo depois, os talibãs detonaram um veículo cheio de explosivos na estrada principal perto do complexo, atingindo um ônibus civil, funcionários parlamentares, observadores, guardas de segurança e os que ajudavam as vítimas no primeiro ataque.