Milhares fugiram de conflitos tribais no norte e sul do Iêmen nos últimos três meses, afirma ACNUR

Apesar do acordo de paz assinado em julho de 2010 entre governo e grupo Al Houtis, ainda há instabilidade. Já são mais de 510 mil deslocados em todo o país.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) advertiu na sexta-feira (09/03) a ocorrência de uma nova onda de deslocamentos internos de milhares de civis no Iêmen. Essas pessoas estão fugindo de disputas tribais no norte e de conflitos entre tropas do governo e grupos armados no sul do país.

A situação é particularmente complicada na província de Haradh, ao norte da capital Sanaa, onde, de acordo com autoridades iemenitas, conflitos tribais provocaram o deslocamento de 52 mil pessoas nos últimos três meses. Além dessa estimativa, aproximadamente outros 314 mil iemenitas já se deslocaram para o norte e estão impossibilitados de retornar para suas casas no distrito de Saada.

Apesar do acordo de paz assinado em julho de 2010 entre o governo do Iêmen e o grupo Al Houtis, a situação no norte do país continua instável. “A insegurança impossibilita o retorno em larga escala dos iemenitas e impõe diversos limites ao acesso humanitário,” afirma o Porta-Voz do ACNUR, Adrian Edwards.

Enquanto isso, no sul, pelos menos 1,8 mil pessoas foram deslocadas nas últimas duas semanas por causa do recente aumento da violência entre tropas do governo e os militantes do distrito de Abyan. Aqueles deslocados da cidade de Ja’ar se uniram a outros 150 mil deslocados que estão na região. Isso incluiu praticamente toda a população das cidades de Zinjibar, Khanfar e Al-Kud. O ACNUR estima que outras 120 mil pessoas corram risco de deslocamento forçado.