Cerca de 900 mil vacinas contra a cólera chegaram a Moçambique na terça-feira (2) para ajudar a evitar uma possível epidemia, após a devastação causada pelo ciclone Idai. Segundo relatos, a doença já infectou mais de mil pessoas nas áreas afetadas pela tempestade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doses da imunização começam a ser distribuídas nesta quarta-feira (3).

Crianças andam em lamaçal no distrito de Buzi, em Moçambique, onde os efeitos do ciclone Idai ainda são visíveis. Foto: UNICEF/De Wet
Cerca de 900 mil vacinas contra a cólera chegaram a Moçambique na terça-feira (2) para ajudar a evitar uma possível epidemia, após a devastação causada pelo ciclone Idai. Segundo relatos, a doença já infectou mais de mil pessoas nas áreas afetadas pela tempestade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doses da imunização começam a ser distribuídas nesta quarta-feira (3).
Christian Lindmeier, porta-voz da agência da ONU, explicou que medidas protetivas estão sendo realizadas em quatro áreas — na cidade de Beira e nos distritos de Dondo, Nhamatanda e Buzi, onde “basicamente toda a população será vacinada”, explicou o representante da OMS.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estações locais de rádio concordaram em participar de uma campanha de conscientização sobre a importância de conter a cólera, que é endêmica na região, assim como a malária, o sarampo e outras doenças evitáveis.
“Temos também, é claro, que superar o problema por conta do acesso rodoviário limitado, mas, ainda mais importante, precisamos mobilizar a população em uma vasta campanha de comunicação”, defendeu o porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac.
OMS: Crianças podem ‘morrer em um dia’ se não forem tratadas
Inicialmente, comunidades em risco irão receber uma dose da vacina contra a cólera, o que garante proteção por ao menos seis meses. Além de garantir que uma segunda dose da vacina esteja disponível ainda neste ano para essas populações, a OMS ressalta que impedir pessoas de beber água suja é uma prioridade vital.
“Assim que uma pessoa fica doente, receber tratamento o mais rápido possível é de extrema importância”, acrescentou Lindmeier. “É um fato triste lembrar a todos que os jovens, os idosos e os (mais) frágeis, crianças especialmente, se pegarem cólera pela manhã, podem estar mortos à noite, se não forem tratados.”
Mais chuvas
O porta-voz da OMS também alertou que condições meteorológicas desafiadoras seguem causando preocupação. “Espera-se que a chuva forte continue nos próximos dias e isto certamente tem um impacto nos esforços de resposta”, explicou Lindmeier. “A situação e o acesso a serviços de saúde essenciais vão provavelmente piorar.”
As precipitações intensas vêm logo após o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciar que vai intensificar a assistência humanitária nas próximas semanas. A decisão foi motivada por uma melhoria no acesso a comunidades rurais das províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, as mais atingidas pela crise.
Desde que o ciclone passou por Moçambique, Malauí e Zimbábue há três semanas, com ventos de mais de 150 quilômetros por hora, o PMA tem fornecido comida para 350 mil pessoas.
“Graças à diminuição (do nível) das águas das enchentes, esperamos alcançar 1,2 milhão de pessoas nas próximas semanas com assistência alimentar”, disse o porta-voz do programa da ONU, Hervé Verhoosel. “Este é um grande aumento comparado com as 350 mil pessoas que o PMA havia alcançado no começo da resposta.”
Meio milhão de hectares de plantações destruídos
Avaliações mais recentes indicam que ao menos 500 mil hectares de plantações — o equivalente a quase três vezes a área do município de São Paulo, no Brasil — foram destruídos pelas enchentes. Um dos cultivos mais afetados foi o de milho. A devastação veio antes da principal colheita, realizada nos meses de abril e maio. Outras fontes essenciais de renda, como pecuária e pesca, foram afetadas, segundo o PMA.
Os preços de alimentos quadruplicaram nos mercados da cidade de Beira após o ciclone. Por conta das necessidades, a agência da ONU reiterou o seu apelo de 133 milhões de dólares para os próximos três meses.