Mortes por câncer diminuem em nove países do continente americano, diz novo relatório da OMS

Apesar de o Brasil estar dentro desta lista, o câncer de mama continua sendo o tipo de câncer que mais mata mulheres brasileiras e o câncer de pulmão o que mata mais homens.

Imagem: OPAS/OMS

Imagem: OPAS/OMS

As mortes causadas por câncer estão diminuindo em pelo menos nove países do continente americano, incluindo o Brasil, aponta um novo relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). A taxa de mortalidade por tipos específicos de câncer também está caindo, mas, em alguns países, os números só aumentaram.

O câncer continua sendo a segunda principal causa de morte no continente, matando 1,3 milhão de pessoas por ano, segundo o estudo “Câncer nas Américas: Perfis dos países 2013”, apresentado essa semana no V Congresso Internacional de Controle do Câncer, realizado em Lima, Peru.

O relatório baseia-se nos dados mais recentes recolhidos pela OPAS/OMS entre o ano 2000 e 2010, sobre a mortalidade por câncer, fatores de risco e as políticas e os serviços relacionados com o câncer em cada país do continente americano.

O documento mostra que 50% das mortes por câncer ocorrem na América Latina e no Caribe, embora essa região concentre 63% da população do continente. As maiores taxas de mortalidade por câncer são registradas em Trinidad e Tobago, Cuba e Argentina, de acordo com os dados do estudo.

México, Nicarágua e El Salvador têm as taxas de mortalidade mais baixas. As mortes de câncer em geral estão em declínio em nove países: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Estados Unidos, México, Nicarágua, Paraguai e Venezuela.

Perfil diferente entre homens e mulheres

As taxas de mortalidade por câncer variam entre homens e mulheres dependendo do país. A maioria das mortes masculinas pela doença na América Latina e no Caribe é causada por câncer de próstata, seguido de pulmão, estômago e colorretal.

Entre as mulheres, a maioria das mortes é causada pelo câncer de mama, seguida de estômago, pulmão, colo do útero e colorretal. No Canadá e nos Estados Unidos, o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer em ambos os sexos.

“O alto número de mortes por câncer de mama e câncer do colo do útero na América Latina e no Caribe é muito preocupante, principalmente porque o câncer cervical é, em grande parte, evitável e o câncer de mama pode ser detectado precocemente e tratado com sucesso”, disse a assessora da OPAS/OMS para a prevenção e controle do câncer, Silvana Luciani.

“Isso significa que há a necessidade de melhorar a detecção e tratamento, especialmente para as mulheres em áreas rurais e remotas, onde o acesso aos serviços de saúde é particularmente limitado”, acrescentou.

Segundo o relatório, em 22 países da região o câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres. Já nos homens, o câncer de próstata ainda é o maior vilão, vitimando a maioria dos homens por câncer em 18 países do continente.

Apesar disso, as mortes por câncer de próstata estão caindo em sete países – Argentina, Canadá, México, Nicarágua, Panamá, Venezuela e Estados Unidos.

Esse declínio também está ocorrendo com as mortes pelo câncer do colo do útero em 11 países – Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Nicarágua, Panamá, Venezuela e Estados Unidos.

Brasil: homens são maiores vítimas do câncer de pulmão e mulheres do câncer de mama

O relatório da OPAS/OMS traz dados específicos para cada país do continente. Sobre o Brasil, o estudo destaca que, em 2010, 101.362 homens e 93.313 mulheres morreram em decorrência de algum tipo de câncer.

Nos homens, 14% das mortes foram causadas pelo câncer de pulmão, seguido por 13% causadas pelo câncer de próstata. Nas mulheres, 20% das mortes foram causadas pelo câncer de mama e 12% pelo câncer colorretal.

Do ano 2000 até 2010, a taxa de mortalidade causada pelo câncer diminuiu no geral, porém o índice de mortes masculinas pelo câncer colorretal e o de mortes femininas pelo câncer de pulmão aumentou.

O estudo também mostra que tipos de políticas são utilizadas no país para prevenir o câncer. Os destaques são para a proibição do uso de cigarro em locais públicos e a proibição da promoção, propaganda e patrocínio de marcas de cigarro.

A pesquisa ressalta que não há nenhuma política nacional para o controle da ingestão de bebidas alcoólicas e contra o excesso de peso e a obesidade. A distribuição da vacina contra o vírus HPV no sistema público a partir do ano que vem também foi um dos destaques.

Em relação aos tipos de tratamento do câncer e os cuidados paliativos, o estudo informa que o Brasil possui serviços públicos de radioterapia, com 222 centros de tratamento pelo país; quimioterapia; e disponibilidade do uso oral de morfina.

Fatores de risco do câncer

O relatório indica que cigarro, bebidas alcoólicas e excesso de peso são os principais fatores de riscos para o aparecimento do câncer. Ele também informa que apenas 10 dos 35 países do continente atingem os padrões internacionais mínimos para uma cobertura completa de radioterapia.

Segundo o estudo, menos de metade dos países relataram ter introduzido a vacina contra o HPV, que causa câncer cervical, em seus programas nacionais de imunização. Apenas Argentina, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Guiana, México, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Porto Rico oferecem a vacina.

O relatório faz parte do trabalho da OPAS/OMS para apoiar os Estados-membros da ONU na luta contra a crescente epidemia de doenças não transmissíveis. A agência também está trabalhando com países e parceiros para desenvolver e implementar o controle do câncer na Estratégia e Plano de Ação sobre doenças não transmissíveis da OPAS/OMS.

Suas principais atividades consistem em expandir a imunização contra infecções que causam certos tipos de câncer, como o de colo do útero (HPV) e o de fígado (hepatite B); fortalecer as políticas de saúde pública para a prevenção do câncer, incluindo as políticas de controle do tabaco, redução do consumo de álcool e promoção de dietas saudáveis e atividades físicas; melhorar os regulamentos e proteção contra agentes cancerígenos no local de trabalho e no meio ambiente; expandir o acesso a medicamentos contra o câncer; entre outros.

Acesse o estudo clicando aqui.