Quinze mulheres guatemaltecas do grupo indígena Q’echi, que foram escravizadas e estupradas por militares durante o conflito civil de 36 anos no país da América Central, ainda esperam a materialização de reparações duramente conquistadas.
Com a ajuda de organizações locais de direitos das mulheres, incluindo a ONU Mulheres e outros parceiros das Nações Unidas, as mulheres de Sepur Zarco, no leste da Guatemala, conseguiram assegurar em 2016, após 22 audiências, a condenação de dois ex-militares por acusações de crimes contra a humanidade.

Mulheres indígenas da Guatemala foram sistematicamente estupradas e escravizadas por militares na comunidade de Sepur Zarco durante o conflito de 36 anos no país. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown
Quinze mulheres guatemaltecas do grupo indígena Q’echi, que foram escravizadas e estupradas por militares durante o conflito civil de 36 anos no país da América Central, ainda esperam a materialização de reparações duramente conquistadas.
Com a ajuda de organizações locais de direitos das mulheres, incluindo a ONU Mulheres e outros parceiros das Nações Unidas, as mulheres de Sepur Zarco, no leste da Guatemala, conseguiram assegurar em 2016, após 22 audiências, a condenação de dois ex-militares por acusações de crimes contra a humanidade.
Foi uma decisão legal pioneira — a primeira vez em que um tribunal nacional processou acusados de crime de escravidão sexual durante conflito usando legislação nacional e lei criminal internacional.
Um total de 18 medidas de reparação foram concedidas às mulheres, incluindo educação para as crianças de suas comunidades, acesso a terras, clínica de saúde e outras intervenções que ajudarão a enfrentar o que a ONU Mulheres descreveu como “a miserável pobreza que suas comunidades têm suportado há gerações”.
Uma das medidas de reparação que teve grande aceitação é uma clínica de saúde móvel e gratuita, que atende 70 a 80 pessoas ao dia. “Nós tínhamos que andar muito para chegar a uma clínica, mas agora está bem mais perto. As comunidades se revezam para cuidar da clínica. Muitas mulheres de minha comunidade receberam remédios, mas suas doenças não podem ser tratadas aqui. Nós sonhamos com um hospital que possa tratar todas as nossas doenças”, explicou Rosário Xo, uma das sobreviventes.
A guerra civil da Guatemala ocorreu entre 1960 e 1996 e envolveu o governo guatemalteco e guerrilhas de oposição.
Clique aqui para saber mais sobre as mulheres de Sepur Zarco (em inglês).