Mulheres na política: América Latina e Caribe têm de avançar na equidade de gênero

Cerca de 60 parlamentares latinoamericanas e caribenhas e 20 parlamentares espanholas debateram, no primeiro dia de encontro, os desafios de suas funções. Também analisaram seus papeis como articuladoras fundamentais na construção de uma agenda de gênero.

Cerca de 60 parlamentares latinoamericanas e caribenhas e 20 parlamentares espanholas debateram, no primeiro dia de encontro, os desafios de suas funções. Também analisaram seus papeis como articuladoras fundamentais na construção de uma agenda de gênero

Madri (Espanha) – A América Latina e o Caribe precisam estabelecer mais e melhores políticas para garantir a equidade de gênero, ainda que a participação das mulheres na política e outros setores tenha melhorado nos últimos anos. Com uma média de 20% de mulheres deputadas e 6% de prefeitas, a representação das mulheres latinoamericanas e caribenhas é baixa se comparada com os avanços de outras áreas. Essa foi uma das conclusões do primeiro dia do Encontro de Mulheres Parlamentares da América Latina e Caribe, que se realiza em Madri entre os dias 15 e 16 de junho.

Cerca de 60 parlamentares latinoamericanas e caribenhas e 20 parlamentares espanholas debateram, no primeiro dia de encontro, os desafios de suas funções. Também analisaram seus papeis como articuladoras fundamentais na construção de uma agenda de gênero. O Encontro de Mulheres Parlamentares: “Por uma Agenda Política para a Igualdade de Gênero na América Latina e Caribe” é organizado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional e Desenvolvimento (AECID), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), com o apoio do Fundo Espanha – PNUD “Por um Desenvolvimento Integrado e Inclusivo na América Latina e Caribe”.

“É necessária a prestação de contas às mulheres para que elas mesmas possam encontrar respostas da parte de quem ocupa cargos de decisão tanto nacionais como internacionais”, considerou Inés Alberdi, diretora executiva do UNIFEM. “Necessitamos de uma prestação de contas na perspectiva de gênero para garantir que as políticas relacionadas aos direitos das mulheres não sejam uma retórica vazia. Prestação de contas na política, na justiça, no cumprimento dos serviços públicos devidos ou nos mercados. Prestação de contas para as mulheres dos compromisos internacionais e nacionais”.

Mulheres: avanços na política
Nas últimas décadas, as conquistas em direitos e equidade no âmbito do gênero refletiram na representação política e, particularmente, nos parlamentos. Houve um importante avanço na proporção de mulheres deputadas. Atualmente, a média regional está em 20.7%. Os países com maior representação de mulheres são Cuba (49.2%), Argentina (40%) e Costa Rica (36.8%), enquanto a representação mais baixa é observada na Colômbia (8.4%), Brasil (9%) e Guatemala (12%). Entre as senadoras, o avanço é mais lento. Os dados de 2009, em comparação com 2001, mostram somente um país com retrocesso (Senado no Paraguai: 18% em 2001 e 16% em 2009) e um lento avanço em geral.

Apesar disso, quatro mulheres chegaram às presidências da República através das urnas: a nicaraguense Violeta Barrios de Chamorro (1990); a panamenha Mireya Elisa Moscoso (1999); a presidenta do Chile, Michelle Bachelet (2005); e Cristina Fernández de Kirchner, na Argentina (2007). A integração em gabinetes ministeriais é outro ponto a destacar. Enquanto na década de 90 apenas se alcançava 9%, dez anos depois a porcentagem de mulheres ministras triplicou chegando a 24%. Os dados para 2009 indicam uma redução para 21.6%. Uma mudança significativa a ser levada em conta é que cada vez mais mulheres ocupam pastas tradicionalmente reservadas aos homems, como as de Interior, Defesa, Economia, Produção, Indústria, Ciência e Tecnologia, entre outras.

Feira de Conhecimento
Paralelamente ao encontro, acontece uma Feira de Conhecimento, em que parlamentares, mecanismos nacionais da mulher e movimentos de mulheres  possam expor e trocar estratégias parlamentares.

Para mais informações

Em Madri:
Virginia Castrejana,+ 34 91 582 34 74, virginia.castrejana@aecid.es

Jose Bodas, + 34 64 96 98 197, p.bodas@arrakis.es

Em Nova York:
Carolina Azevedo,  +1 212 906 6127, carolina.azevedo@undp.org

Beatrice Frey, + 1 212 906 6400  beatrice.fey@unifem.org

No Panamá:
Pablo Basz, + 507 305 4864, pablo.basz@undp.org