Em todos os países da região a proporção de homens e mulheres que usam a internet aumentou, mas somente no Brasil, México e Uruguai a diferença reduziu-se entre ambos os sexos. No resto ampliou-se.

Documento é lançado na XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que começa dia 16, na República Dominicana. Foto: CEPAL
Em vários países da América Latina e do Caribe as mulheres equiparam-se aos homens no acesso à internet, porém encontram-se em clara desvantagem em relação a seu uso. revela o documento “Mulheres na economia digital: superar o limiar da desigualdade” apresentado nesta quarta-feira (16) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
A taxa de uso da internet pelas mulheres é em média 8,5% menor do que a dos homens nos 10 países retratados no documento, cujas conclusões serão debatidas na XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que começa hoje (16) em Santo Domingo, República Dominicana, e termina na sexta-feira, 18 de outubro.
Em todos os países da região a proporção de homens e mulheres que usam a internet a partir de qualquer ponto de acesso aumentou, mas somente no Brasil, México e Uruguai a diferença reduziu-se entre ambos os sexos. No resto ampliou-se. A diferença entre mulheres e homens é de quase 5 pontos percentuais no Chile (39,3% contra 44%), país que conta com uma das maiores taxas de uso dessa tecnologia. No Peru, entretanto, 26% das mulheres e 34,1% dos homens dizem ser usuários.
Essa brecha digital de gênero é mais frequente nas áreas urbanas do que nas rurais e afeta principalmente as mulheres mais velhas de todos os níveis educativos. Em El Salvador a diferença entre mulheres e homens com educação terciária é de cinco pontos percentuais (70,3% contra 75,5%), enquanto em Honduras é de quase três (71,2% e 74%). No Brasil, por sua vez, 4,3% das mulheres e 7,4% dos homens de 65 anos e mais declaram usar a internet, diferença que se repete nos países como Costa Rica (3,1% e 7,1%) e Equador (2,1% e 4,1%).
O uso da internet aumenta à medida que aumenta o nível de renda dos domicílios, mas a brecha de gênero é menor naqueles grupos onde a tecnologia é menos acessível.A desigualdade somente se reverte no caso das mulheres assalariadas, que apresentam taxas de uso da internet superiores às dos homens. Esse último dado indicaria que contar com habilidades para o uso das TICs pode ser uma ferramenta poderosa para a inserção no mercado de trabalho de muitas mulheres.
As estatísticas indicam que quase a metade das mulheres da região (que representam 50,9% da população, mais de 300 milhões de pessoas) não têm nenhum vínculo com o mercado de trabalho: a taxa de atividade econômica feminina sobe para 49,8% (a masculina chega a 78,7%) e uma em cada 10 mulheres está empregada no serviço doméstico, um dos trabalhos pior remunerados e com menor proteção social.