Mulheres vivendo com HIV/AIDS contribuem na resposta à epidemia

Ativistas se reúnem em Manaus para oficina de capacitação que será replicada em outros países de língua portuguesa.

Mulheres vivendo com HIV/AIDS contribuem na resposta à epidemiaAtivistas se reúnem em Manaus para oficina de capacitação que será replicada em outros países de língua portuguesa.

Entre os dias 2 e 6 de maio, no espaço da Vila Olímpica, em Manaus, 26 mulheres vivendo com HIV/AIDS dos sete estados da região norte do Brasil participaram da primeira oficina do projeto “Saber para Reagir” em língua portuguesa. Uma discussão com gestores foi realizada no dia 5 de maio, com o objetivo de estabelecer agendas comuns para o enfrentamento da epidemia.

O evento foi realizado pelo Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), em atividade integrada com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), a German Backup Initiative da Cooperação Técnica Alemã (GIZ), a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO), em parceria com Países Membros da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O projeto visa fortalecer a prática do ativismo e a participação cidadã em direitos humanos, gênero, advocacy e controle social das políticas públicas locais, com vistas à redução da inequidade de gênero e à ampliação e melhoria do acesso de mulheres vivendo com HIV a serviços de prevenção, tratamento, atenção e apoio ao HIV/AIDS e de atendimento à mulher em países de língua oficial portuguesa.

A Oficina de Manaus é a primeira de uma série de atividades que serão realizadas até o final de 2011 nas cinco regiões brasileiras, bem como na África, em Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Espera-se fortalecer as capacidades de atuação de mais de 150 mulheres nesses seis países e promover oportunidades de intercâmbio de experiências e mobilização conjunta.

Eduardo Barbosa, Diretor Adjunto do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde destacou que “o engajamento do movimento social foi essencial para os resultados alcançados pela resposta brasileira à epidemia de AIDS. Reforçar capacidades de mulheres vivendo com HIV/VIH agrega resultados positivos na melhoria dos serviços de saúde e no com bate ao estigma e à discriminação”.

Entre os resultados esperados do Projeto “Saber para Reagir” estão: a elaboração de diagnósticos sobre cada um desses países, organizados de forma participativa, sobre os marcos legais essenciais à resposta ao HIV, questões de gênero e violência contra as mulheres; o desenvolvimento de material didático e visual para assessor movimentos de mulheres vivendo com HIV da CPLP e promover a integração e atuação em rede, fortalecendo a cooperação mútua e o intercâmbio de experiências entre essas mulheres com vistas à atuação política e de advocacy para firmar compromissos com o poder público para a implementação de agendas pactuadas em níveis locais.

Para Pedro Chequer, Coordenador do UNAIDS no Brasil e ponto focal do UNAIDS para a CPLP, “esta iniciativa inédita criará espaços de intercâmbio de conhecimentos e práticas que permitirão o empoderamento de mulheres e fortalecerão a resposta à AIDS e a promoção da equidade de gênero nos países parceiros.”