Mundo nunca precisou tanto da ONU para tratar desde desenvolvimento sustentável à paz, avalia Ban

Para Secretário-Geral das Nações Unidas, períodos de transição global apresentam enormes desafios, mas também oportunidades formidáveis para o progresso da humanidade.

Com o mundo enfrentando um momento crucial na sua História, nunca foi tão grande a necessidade global de as Nações Unidas tratarem de múltiplas questões, do desenvolvimento sustentável à garantia da paz e para mitigar megadesastres. “Períodos de transição global apresentam enormes desafios, mas também oportunidades formidáveis para o progresso da humanidade. Juntos, nenhum desafio é grande demais. Juntos, nada é impossível”, afirmou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a apresentação de seu relatório anual na 66ª. Assembleia Geral.

No documento, Ban cita o alargamento e o aprofundamento do impacto da crise econômica global, assim como a de alimentos e combustíveis sobre as populações, além da revolução e do renascimento dos movimentos democráticos de liderança popular no norte da África e no Oriente Médio. Também destaca as mudanças no poder econômico em partes da África e Ásia que surgiram como novos motores do crescimento mundial e o aumento de “megadesastres”, como o devastador terremoto que atingiu o Haiti e a enchente massiva com enormes perdas ao Paquistão, ambos em 2010, e o terremoto seguido de tsunami e de uma crise nuclear no Japão este ano.

“E temos visto a importância crescente de um conjunto de desafios globais que ameaçam as vidas de pessoas ao redor do mundo e a sustentabilidade do planeta”, disse o Secretário-Geral.

Para ele, é imperativo alcançar o desenvolvimento sustentável, não apenas redobrando esforços para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para cortar uma série de males sociais, como a pobreza e a fome, mortalidade materna e infantil, doenças, e falta de acesso a saúde e educação, até 2015, como também para visualizar um quadro de desenvolvimento pós-2015.

Fortalecimento da capacidade de prevenção

Na questão de paz e segurança, Ban nota que os últimos cinco anos começaram a testemunhar um impacto positivo do fortalecimento da capacidade de prevenção da ONU quando aproveitada pelos Estados-Membros para neutralizar tensões internas e transfronteiriças.

“Devemos continuar aprofundando e expandindo os serviços preventivos que termos condição de oferecer aos Estados-Membros”, escreveu ele, citando as cada vez mais complexas operações de manutenção da paz que possuem recursos escassos para mandatos amplos. “Estamos pensando com criatividade sobre como melhorar ou agilizar e influenciar parcerias potenciais para garantir capacidade para atender às necessidades no terreno.”

O Secretário-Geral enfatiza a necessidade de reformular as estratégias de resposta e aumentar o peso da redução de riscos de desastres. A ONU já começou a trabalhar em novas formas de parcerias com empresários e sociedade civil e está experimentando novas tecnologias para coordenar os agentes e ligá-los às vítimas. “Estes esforços terão de ser acelerados nos próximos cinco anos se quisermos enfrentar os desafios humanitários”, alerta.

Ban reafirma que as Nações Unidas apoiam os clamores por democracia no Oriente Médio e norte da África e pede que a comunidade internacional proteja os civis das “violações flagrantes” de seus direitos na Costa do Marfim e na Líbia, destacando o “importante impacto positivo que esta defesa pode ter no apoio às pessoas na linha de frente que lutam pelos direitos humanos, Estado de Direito e democracia”.

“Os próximos cinco anos serão cruciais para determinar o caminho de muitas transições, é essencial que atualizemos rapidamente nossas habilidades para apoiar países envolvidos na construção de estruturas e processos democráticos”, prevê. “Devemos estar prontos para os novos desafios que teremos de enfrentar, sobretudo aqueles representados por padrões demográficos.”