O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu na quinta-feira (22) o fim da perseguição a grupos religiosos em todo o mundo. Esta é a primeira vez que a data é lembrada como o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença.
Aprovada em maio pela Assembleia Geral da ONU, a resolução que instaurou o Dia Internacional contou com o apoio do Brasil e de outros sete países, que alertaram para o aumento de atos de intolerância e de violência com base na religião e na crença das vítimas.

Secretário-geral da ONU lembra Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença. Foto: Mark Garten/UN Photo.
O Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença foi criado em resposta ao aumento em todo o mundo do número de ataques contra indivíduos e grupos, simplesmente por conta de sua religião ou crença.
“Judeus têm sido assassinados em sinagogas, e suas lápides pichadas com suásticas; muçulmanos são atacados em mesquitas, e seus lugares sagrados vandalizados; cristão mortos em culto, suas igrejas queimadas”, lamentou o secretário-geral da ONU em sua mensagem oficial para marcar o dia.
Repúdio àqueles que espalham medo e ódio
Guterres declarou que a data é uma oportunidade para reafirmar o suporte da Organização às vítimas de violência baseadas em religião ou crença. “Nós demonstramos este apoio ao fazer tudo o que está ao nosso alcance para prevenir estes ataques e demandando que os responsáveis sejam responsabilizados”, comentou.
Ao apontar que a maioria das religiões do mundo prega a tolerância e a coexistência pacífica, o chefe da ONU demonstrou repúdio àqueles que “falsamente e maliciosamente invocam alguma religião para cometer equívocos, estimular divisão e espalhar medo e ódio”. Segundo ele, há riqueza e força na diversidade – que nunca deve ser considerada uma ameaça.
António Guterres também chamou atenção às duas novas iniciativas criadas para superar a ameaça da violência baseada em religião e crença: o “Plano de Ação contra o Discurso de Ódio” e o “Plano de Ação pela proteção de locais religiosos e sagrados”.
Plano de Ação da ONU para melhorar a segurança de fieis
O “Plano de Ação pela proteção de locais religiosos e sagrados” é uma iniciativa da ONU sob a supervisão do senhor Miguel Angel Moratinos, que entregou um plano-rascunho ao secretário-geral no fim do mês de julho, criado a partir de consultorias com governos, líderes religiosos, organizações religiosas e outras partes relevantes.
Em sua participação na Conferência Regional de alto nível contra o terrorismo no Quênia, em junho, Moratinos, que é o representante da Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), disse que o objetivo do Plano é promover “recomendações concretas que possam ajuda a garantir que locais religiosos permaneçam seguros, e que fiéis possam praticar seus rituais em paz”.
António Guterres disse ainda, em mensagem oficial lembrando o dia, que a melhor maneira para superar a ameaça da violência baseada em religião e crença é “unir, de uma vez, nossas vozes, enfrentando as mensagens de ódio por mensagens de paz, abraçando a diversidade e protegendo os direitos humanos”.