Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes foi marcado nesta semana no Parque do Ibirapuera com oficinas e atividades abertas de conscientização. A ação contou com a parceria da UNESCO no Brasil.

Exposição de cartazes produzidos por crianças e adolescentes no Dia Nacional Da Luta Contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Teatro Nacional, em Brasília. Foto: Valter Campanato/ABr
Dados do Observatório Social da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo indicam que a esmagadora maioria dos 24.130 casos de violência contra crianças e adolescentes registrados em 2015 têm como agressores os próprios familiares.
São 17,5% de casos de violência física ou psicológicas praticados por eles, sendo que quase 80% são provenientes pela mãe ou pelo pai. Outros dados apontam que 32% são casos de abuso sexual, sendo que um quarto deles praticados pelos pais. Outros 31% são negligência ou abandono.
Para estimular a reflexão sobre o problema e suas causas, a Secretaria paulistana promoveu uma série de atividades e oficinas no Parque do Ibirapuera, na capital paulista, na última quarta-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
O evento foi aberto e contou com a participação de cerca de 800 usuários dos diversos serviços da assistência social da cidade, sendo cerca de 700 crianças e adolescentes, incluindo muitas das atendidas pelo serviço de proteção às vítimas de violência. A ação contou com a parceria da UNESCO no Brasil.
Iniciativa conjunta da Secretaria com a comissão municipal criada em 2007 para o enfrentamento do problema, o evento promoverá oficinas e atividades sobre temas como: afetividade e sexualidade, abuso sexual intrafamiliar, gravidez na adolescência, diversidade sexual, assédio, masculinidade, consumo de drogas, família, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), internet e redes sociais.
Na maioria das vezes, a violência é apenas uma reprodução da violência sofrida pelos agressores na infância. O atendimento feito pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social é focado em melhorar a convivência familiar.
Por isso, as unidades do Serviço de Proteção Social às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV) prestam atendimento psicossocial individual e em grupo tanto à vítima como a seus familiares, além de oficinas de arte, lazer, recreação e encaminhamentos para assistência médica e jurídica.
Com isso, metade dos desligamentos do serviço ocorrem a pedido da própria equipe, sem necessidade de afastar a vítima da família, e apenas entre 1% e 4% terminam seu encaminhamento para um abrigo. Para ampliar esse atendimento, nos últimos dois anos, a Secretaria aumentou de 14 para 20 as unidades desse serviço e outras três estão em implantação.
Com as atividades do dia 18, a Secretaria investe na prevenção do problema. É o quarto ano em que a data é comemorada num parque ao ar livre, precedido de atividades promovidas pelas várias regionais. Neste ano foram sete eventos regionais – de seminários com especialistas a passeatas – realizados em diversos bairros da periferia de São Paulo com o objetivo de conscientizar a população sobre as causas e as formas de enfrentar a violência contra crianças e adolescentes.