Na América Latina e Caribe, 23% dos casamentos aconteceram quando um dos parceiros era menor de idade

Quase um quarto dos casamentos da região foi realizado quando um dos cônjuges era menor de idade. Estimativa foi divulgada em março durante encontro de representações diplomáticas e agências da ONU na sede das Nações Unidas, em Nova York.

Especialistas e delegações de governos concordaram unanimemente que o matrimônio infantil é uma violação dos direitos humanos e uma ameaça à vida de meninas e adolescentes.

Brasil tem o maior índice de casamentos infantis da América Latina. Foto: EBC

Brasil tem o maior índice de casamentos infantis da América Latina. Na região, 23% dos matrimônios ocorreram quando um dos cônjuges era menor de idade. Foto: EBC

Na América Latina e no Caribe, 23% dos casamentos foram realizados quando um dos cônjuges era menor de idade. A estimativa foi divulgada em março durante encontro de representações diplomáticas e agências da ONU na sede das Nações Unidas, em Nova York. Especialistas e delegações de Estados-membros concordaram unanimemente que o matrimônio infantil é uma violação dos direitos humanos e uma ameaça à vida de meninas e adolescentes.

O debate, co-organizado pela Guatemala e pelo Panamá, identificou abordagens bem-sucedidas para reduzir as taxas de casamento infantil.

No Panamá, onde 26% das meninas se casam antes da maioridade e aproximadamente 7% antes dos 15 anos, uma reforma legislativa instituiu os 18 anos como a idade mínima legal para a união matrimonial e para o consentimento. Antes, com permissão dos pais, meninas a partir de 14 anos e meninos a partir de 16 podiam se casar.

“Acabar com o casamento infantil é um imperativo moral e jurídico e exige ação em muitos níveis. Os governos, a sociedade civil e outros parceiros devem trabalhar juntos para garantir que menina tenham acesso a educação, informações, serviços de saúde e empoderamento”, afirmou o diretor regional do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) para a América Latina e o Caribe, César Núñez.

A agência foi uma das responsáveis pela realização do evento, também apoiado pela ONU Mulheres, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Na Guatemala, mobilizações organizadas pela população e pela cooperação internacional levaram à aprovação de alterações nos códigos civil e penal. Mudanças garantiram o aumento da idade mínima para o casamento também para os 18 anos.

O UNAIDS está trabalhando com países para eliminar as desigualdades de gênero e toda a forma de violência e discriminação contra mulheres e meninas até 2020, tal como previsto pela Declaração Política das Nações Unidas de 2016 sobre o Fim da AIDS.