Crise na Síria, situação na República Centro-Africana e no Sahel e mudanças na intervenção humanitária africana são focos principais.
Região de Maradai, no Níger: A população local ajuda a reabilitar as terras com o apoio de um programa da ONU de que lhes permite obter renda para sustentar suas famílias. Foto: PMA/Phil Behan
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) destacou, nesta segunda-feira (23), as principais áreas de preocupação humanitária que serão discutidas durante a Assembleia Geral da ONU.
A primeira prioridade no momento é a crise humanitária na Síria. O OCHA pede que esta crise não seja ofuscada pelo debate político, já que o conflito no país e o uso de armas químicas devem continuar dominando as discussões dos próximos dias. O OCHA espera que este fato não diminua a atenção à grave crise humanitária no país, onde 7 milhões precisam de ajuda humanitária, e mais de 2 milhões fugiram do país.
A segunda crise que preocupa é a deterioração da situação na República Centro-Africana (RCA), onde, de acordo com o OCHA, toda a população foi afetada pela insegurança e pela violência — cerca de 4,4 milhões de pessoas. Desde dezembro de 2012, 250 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas e mais de 60 mil deixaram o país.
A RCA tem sido marcada por décadas de instabilidade e conflitos e assistiu a uma retomada da violência em dezembro do ano passado, quando a coalizão rebelde Seleka lançou uma série de ataques contra o governo. Um acordo de paz foi assinado em janeiro, porém em março os rebeldes tomaram a capital do país e forçaram o presidente François Bozizé a fugir.
O OCHA também pretende priorizar a discussão sobre o surgimento de uma nova abordagem para a intervenção humanitária na África, orientada pelos governos e pela sociedade civil africana, que coloca maior ênfase na construção de resiliência ao invés de lidar com as necessidades em curto prazo.
Para isso, realiza um evento nesta quarta-feira (25) em parceria com a União Africana em homenagem aos “campeões humanitários africanos”. O evento vai possibilitar que governos e representantes do setor privado africano mostrem como estão lidando com as necessidades humanitárias.
A quarta prioridade é o apoio à região do Sahel, onde o escritório de ajuda humanitária quer trabalhar com base na construção da resiliência. Segundo o OCHA, as pessoas no Sahel — uma região na África que se estende por nove países — são algumas das mais vulneráveis do mundo: enfrentam a fome e a desnutrição, crises de saúde, desastres naturais e, cada vez mais, a insegurança e a violência.