Na Índia, Ban Ki-moon promete empenho da ONU para alcançar a visão de Gandhi

Chefe da ONU afirmou que admirava Mahatma Gandhi e foi pessoalmente guiado por seus ensinamentos, especialmente por sua descrição dos “sete pecados sociais”: política sem princípios; riqueza sem trabalho; prazer sem consciência; conhecimento sem caráter; comércio sem moralidade; ciência sem humanidade; e culto sem sacrifício.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (ao centro), examinando escritos originais de Gandhi durante sua visita à Índia. Foto: ONU/Mark Garten

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (ao centro), examinando escritos originais de Gandhi durante sua visita à Índia. Foto: ONU/Mark Garten

A crescente radicalização, o fundamentalismo e o extremismo exigem uma ênfase renovada dos ideais de Mahatma Gandhi – tanto espiritual quanto politicamente, disse nesse domingo (11) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Gujarat. Ban renovou o compromisso contínuo das Nações Unidas em promover a tolerância e garantir a justiça e a dignidade para todos.

“A divisão política e a incitação sectária não têm lugar em nosso mundo moderno. Como Gandhi nos lembrou: não haverá paz duradoura na terra a menos que nós aprendemos não apenas a tolerar, mas até mesmo a respeitar as outras religiões como a nossa própria”, disse Ban Ki-moon.

A declaração foi feita no mosteiro Sabarmati Ashram, local que abriga uma biblioteca e um museu que narra a vida, trabalho e ensinamentos do lendário líder do movimento de independência da Índia e pioneiro da filosofia e estratégia da não violência.

De fato, disse o secretário-geral, há uma grande força na diversidade – e os países que celebram a diversidade e abraçam cada indivíduo são os únicos a moldar um mundo seguro e estável. Como a Índia, lembra Ban, “uma democracia ampla, diversificada e vibrante, que pode ser uma campeã dos direitos, da dignidade e da igualdade de todas as pessoas”.

Ban Ki-moon afirmou que, como tantas pessoas pelo mundo, ele admirava Mahatma Gandhi e foi pessoalmente guiado por seus ensinamentos, especialmente por sua descrição dos “sete pecados sociais”: política sem princípios; riqueza sem trabalho; prazer sem consciência; conhecimento sem caráter; comércio sem moralidade; ciência sem humanidade; e culto sem sacrifício.

“Esta visão transcende todas as fronteiras. A compaixão de Gandhi abraça todas as pessoas. Eu mesmo tenho feito meus melhores esforços e pedido a todos os líderes, em toda parte, para viver por seus ensinamentos”, disse Ban, acrescentando que a ênfase de Gandhi sobre os pobres se reflete hoje no trabalho das Nações Unidas para acabar com a pobreza e construir um mundo pacífico de dignidade para todos.

“Nós só teremos sucesso se a memória da luta incansável de Gandhi contra a injustiça se mantivar viva em nossos corações”, disse ele, observando que as Nações Unidas marcam o aniversário de Gandhi como o Dia Internacional da Não Violência – “defendendo seus ideais todos os dias do ano”.