Autoridades entregaram ao secretário-geral da ONU ação de repúdio contra os relatos de espionagem a países da região. Documento cita também o embargo econômico contra Cuba e a situação das Malvinas.

Ministros das Relações Exteriores do Mercosul. Foto: ONU/Devra Berkowitz
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
[audio:http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/ltd/mp3/2013/1308058.mp3%5DOs ministros das Relações Exteriores do Mercosul se reuniram esta segunda-feira (5) com o secretário-geral da ONU, em Nova York. Eles entregaram a Ban Ki-moon uma ação de repúdio do bloco sul-americano aos relatos de “espionagem” a países da região.
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse em entrevista aos jornalistas que a reação do secretário-geral foi a de compartilhar a preocupação levada pelos ministros.
Segundo Patriota, o chefe da ONU lembrou as reações da alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, que reconhece que estas práticas envolvem violação de instrumentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Sobre as ações a serem tomadas, o ministro disse que os países ainda estão analisando o assunto.
“Existem diferentes situações e modalidades de apresentação de iniciativas que ainda vão ser objetos de uma coordenação. Fazem parte do texto a ideia de que haja algum tipo de sanção, mas não especificado ainda. Isso é uma conversa que terá de ser desenvolvida em âmbito multilateral. É um debate que nos Estados Unidos mesmo está sendo travado de maneira muito intensa nesse momento e acho que é uma preocupação generalizada.”
Participaram do encontro, além do chanceler brasileiro, o ministro argentino das Relações Exteriores, Héctor Timerman, o chanceler do Uruguai, Luis Almagro e o ministro venezuelano, Elías Jaua. A Venezuela ocupa a presidência rotativa do Mercosul.
Patriota citou as palavras do ministro venezuelano para dizer que esta manifestação do Mercosul foi um sinal de alerta.
Para ele, esse sinal é importante para que se desenvolvam mecanismos de cooperação que evitem esses abusos.
O documento citou também várias outras situações de preocupação para os ministros. Entre elas, o embargo econômico contra Cuba, que já dura mais de 50 anos.
Ainda na lista, a questão da soberania das Malvinas e o incidente com o avião do presidente boliviano, Evo Morales, impedido de pousar em vários países europeus.
O encontro com Ban Ki-moon antecedeu uma sessão do Conselho de Segurança, que será realizada nesta terça-feira (6), sobre a cooperação das Nações Unidas com organizações regionais e sub-regionais.
A Argentina está presidindo os trabalhos do Conselho de Segurança neste mês de agosto.