Para vice-primeiro-ministro, Walid Al-Moualem, membros permanentes do Conselho de Segurança “apoiam o terrorismo”. Secretário-Geral da ONU condena possível uso de armas químicas no país. UNESCO pede ação para impedir destruição de patrimônio mundial.
A tentativa de trazer a paz para a Síria exigirá que outros países parem de fornecer armas a grupos oposicionistas envolvidos no conflito do país, disse o vice-primeiro-ministro sírio, Walid Al-Moualem, na Assembleia Geral da ONU. “Gostaria de dizer-lhes que o sucesso de qualquer esforço internacional requer, além do compromisso do Governo sírio, comprometer os Estados que apoiam grupos armados no meu país, sobretudo a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Líbia e outros, a parar de fornecer armamento, treinamento, financiamento e abrigo para estes grupos.”
A Síria acredita que uma solução política é a única solução possível para acabar com o conflito. Al-Moualem pediu na segunda-feira (1) que todos os países da Assembleia Geral exerçam pressão sobre os que apoiam “grupos terroristas” na Síria. Para ele, princípios da intervenção humanitária e da responsabilidade de proteger têm sido usados como pretexto para interferir em assuntos internos.
“Talvez, o pior de tudo, é ver que os membros permanentes do Conselho de Segurança, que lançaram guerras, sob o pretexto do combate ao terrorismo, agora apoiam o terrorismo no meu país, sem qualquer relação com as resoluções das Nações Unidas”, disse o vice-primeiro-ministro. “Até que ponto as declarações do Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Estados Unidos e França, que claramente induzem e apoiam o terrorismo na Síria, estão em linha com as responsabilidades internacionais desses países na luta contra o terrorismo?”, acrescentou.
Secretário-Geral da ONU condena possível uso de armas químicas
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a contínua ameaça global representada pela armas químicas, expressando preocupação especial com as declarações do Governo sírio sobre a existência e possível uso dessas ferramentas de destruição em massa. “Mais uma vez, enfatizo a responsabilidade fundamental do Governo sírio de garantir a segurança e a segurança de qualquer material armazenado. O uso de tais armas seria um crime ultrajante com consequências terríveis.”
A Síria é um dos oito Estados que ainda não são firmaram a Convenção sobre Armas Químicas (CWC), que proíbe o uso e armazenamento destas armas. Os outros Estados são Angola, Egito, Israel, Mianmar, República Popular Democrática da Coréia, Somália e Sudão do Sul.
UNESCO pede por proteção de sítio histórico na Síria
Os dois lados do conflito sírio devem fazer todo o possível para impedir a destruição da antiga rede dos mercados de Aleppo, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ao classificar como “profundamente preocupantes” as informações de relatórios sobre a devastação da cidade em guerra.
Souk Aleppo, ou Souq al-Madina, sofreu grandes danos na sequência de um incêndio no domingo (30) que destruiu centenas de lojas enquanto, supostamente, a luta feroz entre o exército da Síria e as forças da oposição prosseguiam por toda a cidade. Para a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, a destruição do “patrimônio cultural que testemunha a história milenar do país – valorizado e admirado em todo o mundo – torna tudo ainda mais trágico”.
Apontando para os “angustiantes e apavorantes” documentos, Bokova pediu que todas as partes respeitem a importância cultural da Cidade Antiga e protejam-na de danos maiores. A diretora-geral anunciou que uma equipe da UNESCO irá para Aleppo avaliar os estragos gerais assim que as condições de segurança permitirem. A equipe de especialistas prestará assistência de emergência para a proteção do patrimônio.