Na preparação para encontro anual, Ban Ki-moon pede compromisso global com metas de desenvolvimento

Relatório da ONU afirma que, sem empenho dos governos, Objetivos de Desenvolvimento do Milênio só serão alcançadas em alguns países até 2015.

Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon (dir.), no lançamento do relatório da Força-Tarefa sobre as lacunas do ODM

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, espera por um dos mais movimentados debates do ano na Assembleia Geral das Nações Unidas. O encontro reunirá pelo menos 120 líderes mundiais entre os dias 25 de setembro e primeiro de outubro em Nova York, além de realizar 50 eventos paralelamente. Ban acredita que a reunião com tantos líderes será um desafio, afirmou em entrevista na sexta-feira (21).

“Convencer os líderes a realizar seus compromissos, essa será uma missão importante para mim”, disse. “Há muitos líderes mundiais que têm suas próprias prioridades políticas nacionais. Mas às vezes eles não as cumprem. Eu vou tentar ser muito franco, dizer onde eles estão aquém, onde eles precisam fazer mais, especialmente quando se trata dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)”. acrescentou  o Secretário-Geral.

Os ODM foram acordados pelos líderes mundiais numa cúpula da ONU em 2000 e estabelecem metas específicas sobre a redução da pobreza e da mortalidade infantil, educação, igualdade de gênero, saúde materna, estabilidade ambiental, redução da HIV/AIDS e uma “Parceria Global para o Desenvolvimento”. O ano limite para a concretização das metas é 2015.

Ban solicitou uma maior parceria global para que as metas sejam atingidas. Segundo Relatório da Força Tarefa sobre as Lacunas dos ODM, publicado nesta quinta-feira (20), ganhos significativos do ODM poderão ser reduzidos em razão do declínio na doação dos países. “O relatório mostra um quadro preocupante. É claro que precisamos de uma parceria global para atingir os objetivos até o prazo em 2015”, disse o Secretário-Geral. O documento analisa as necessidades para que os países alcancem o ODM número 8, referente à cooperação mundial para o desenvolvimento.

Mesmo com avanços nos ODM, a diminuição na ajuda global prejudicou o progresso das metas. O relatório observa que, depois de atingir um pico em 2010, o volume de doações caiu quase 3% em 2011. O documento alerta que, sem o empenho dos governos, os objetivos só serão alcançados em alguns países em 2015.

De acordo com o documento, para cumprir a meta da ONU de 0,7% da renda nacional bruta de cada país doador, a ajuda ao desenvolvimento (AOD) internacional deve dobrar para 300 bilhões de dólares. Os países menos desenvolvidos devem receber cerca de um quarto desse valor e a quantia irá acabar com uma lacuna de 167 bilhões de dólares relativa a doações.

No debate geral em Nova York, também serão colocados em pauta os confrontos na Síria, a emergência humanitária na região africana do Sahel e as relações instáveis entre Sudão e Sudão do Sul.