Na Somália, António Guterres pede apoio mundial contra fome e cólera

Secretário-geral das Nações Unidas visitou o país nessa terça-feira (7). Com quase metade da população somali precisando de assistência, incluindo 330 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda, o chefe da ONU reiterou um apelo de 825 milhões de dólares para o apoio a 5,5 milhões de pessoas pelo período de seis meses.

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante coletiva de imprensa conjunta com o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Farmaajo (à esquerda) na capital somali, Mogadíscio. Foto: Missão da ONU na Somália (UNSOM)

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante coletiva de imprensa conjunta com o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Farmaajo (à esquerda) na capital somali, Mogadíscio. Foto: Missão da ONU na Somália (UNSOM)

Em visita à Somália nessa terça-feira (7), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu apoio internacional para evitar a fome no país africano atingido pela seca, bem como para reduzir a propagação do cólera.

Guterres destacou avanços que, segundo ele, renovam sua esperança. “É exatamente porque é trágico e porque é esperançoso que faz sentido fazer um apelo muito forte à comunidade internacional para apoiar a Somália no momento atual”, disse Guterres a repórteres na capital do país, Mogadíscio.

Com quase metade da população somali precisando de assistência, incluindo 330 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda, o chefe da ONU reiterou um apelo de 825 milhões de dólares para o apoio a 5,5 milhões de pessoas pelo período de seis meses.

“Há uma chance na Somália de evitar uma situação como a que tivemos em 2011”, disse ele, referindo-se à epidemia de fome que deixou milhares de pessoas mortas.

Ele disse que 3,3 milhões de pessoas precisam de apoio à saúde e que a cólera vem se desenvolvendo e tornando a fome ainda pior e mais perigosa. Nos últimos dois meses, houve 7.731 casos de cólera, com 183 pessoas mortas. Na semana passada, houve 1.352 casos de cólera e 38 mortos. “É um processo em aceleração”, alertou.

Ele destacou, no entanto, que há “um momento de esperança” pelo fato de a Somália estar “virando a página” – com um novo presidente eleito e um novo primeiro-ministro nomeado.

“Há um compromisso muito forte para aumentar a segurança e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade do governo para começar a prestar serviços eficazes para a população”, disse Guterres.

A Missão da União Africana na Somália (AMISOM), que está fazendo um trabalho pelo qual mundo deve ser grato – não apenas proteger os somalis, mas todos contra o terrorismo –, não tem sido efetivamente ajudada pela comunidade internacional, acrescentou Guterres.