Funcionário da ONU negou que a organização esteja criando um impulso político para a resolução do conflito. As Nações Unidas vão promover a redução da violência e auxiliar milhões de civis no país.

Destruição na cidade de Aleppo, na Síria. Foto: UNESCO.
As Nações Unidas vão adotar uma abordagem minimalista, concreta e realista para lidar com a crise gerada pelos conflitos atuais na Síria, afirmou o enviado especial do secretário-geral para a Síria, Staffan de Mistura, nesta sexta-feira (10). Ele alertou sobre os perigos crescentes enfrentados pela população civil em meio à última ofensiva do Estado Islâmico (EI) no país.
Em coletiva de imprensa em Genebra, o funcionário da ONU negou as expectativas de que a organização estaria criando algum tipo de impulso político para a resolução do conflito que já dura quase quatro anos. As Nações Unidas vão, pelo contrário, promover e facilitar a redução da violência, ao mesmo tempo que vão auxiliar os milhões de civis na frente humanitária.
O conflito na Síria começou em março de 2011 e já causou 150 mil mortes, além de ter deixado 680 mil pessoas feridas. Além disso, pelo menos 10,8 milhões de pessoas precisam de assistência na Síria, incluindo, no mínimo, 6,5 milhões de deslocados internos. Estima-se que 2,5 milhões de pessoas foram acolhidas em países vizinhos.
Staffan de Mistura ainda chamou atenção à ameaça iminente imposta pelo grupo terrorista à população síria na fronteira norte da cidade de Ayn al-Arab, também conhecida como Kobani. O EI invadiu a cidade na última segunda-feira (06), provocando combates entre o grupo armado e os curdos nos bairros do leste da cidade.
O enviado especial explicou que o último corredor de saída de Kobani sofre risco de cair em mãos dos combatentes do EI, o que potencialmente deixaria 12 mil civis sitiados com um risco iminente de serem vítimas de uma massacre.
O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Adrian Edwards, declarou que as disputas em Kobani e em seus arredores já levaram 172 mil curdos da Síria a fugir para a Turquia. Muitos refugiados ainda continuam sua jornada para a região do Curdistão do Iraque. Outros estão recebendo assistência do ACNUR e sendo levados para campos de refugiados.